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    Tesourinha, uma centenária lenda colorada

    Ídolo (C) marca, no Eucaliptos, um de seus 178 gols pelo Inter

    Se você é hoje torcedor colorado e herdou esta paixão centenária, muito se deve a um sujeito chamado Osmar Fortes Barcelos, o lendário Tesourinha. Um legítimo craque, revelado no Celeiro de Ases, que ajudou a catapultar a fama do Rolo Compressor e o nome do Sport Club Internacional pelo Brasil afora. Mais do que isso, um atleta nascido para jogar no Clube do Povo.

    No Dia do Torcedor Colorado, celebrado neste 17 de dezembro, vamos relembrar a trajetória do histórico ponta-direita que completaria um século de vida em 2021, mas que permanece eternizado na raiz de cada alvirrubro.

    Imagem: Revista Panorama Esportivo

    O primeiro capítulo da história entre Inter e Tesourinha foi escrito ainda no nascimento do ídolo, em 3 de outubro de 1921. Osmar Fortes Barcellos viveu sua infância na Ilhota, primeira grande favela de Porto Alegre, marcada pela mistura de futebol e samba, que em 1909 também serviu de berço colorado.

    Seu apelido veio de um bloco carnavalesco, chamado ‘Os Tesouras’, do qual ele e familiares faziam parte. Mas poderia também ser referência à maneira como cortava os adversários, em dribles desconcertantes, muito comparado aos de Garrincha.

    Bem-humorado, o ídolo divertia-se ao explicar o motivo do apelido: “Por causa de um bloco chamado Os Tesouras, que no final da década de 30 fez misérias na Cidade Baixa (bairro de Porto Alegre). Diziam que eu fazia misérias com os adversários, daí o apelido”.

    Tesourinha infernizava os adversários pela ponta-direita

    Quando de fato chegou ao Inter, em 1939, ainda era franzino e muito pobre. Assim, ganhou do Clube a autorização especial para pegar diariamente dois litros de leite nos armazéns próximos ao Estádio dos Eucaliptos.

    Sua chegada ao Inter culminou com a formação do famoso Rolo Compressor, com o qual foi octacampeão citadino e gaúcho, tornando-se o quinto maior artilheiro da história colorada, com 178 gols. Formou, junto de Carlitos, Adãozinho e Villalba, um dos principais ataques da história do futebol brasileiro. Ajudou o Clube do Povo a se consolidar como maior time do Rio Grande do Sul, além de garantir a vigente supremacia no clássico Gre-Nal, obtida em 1945.


    Atingiu feito raro entre os gaúchos na sua época ao ser convocado para a Seleção Brasileira – o primeiro atuando no Inter. Superou a desconfiança da imprensa do eixo Rio-São Paulo e foi igualmente brilhante, sendo eleito por duas vezes o melhor jogador do continente. Entre seus títulos com a Seleção, conquistou a Copa América de 1949 e a Copa Roca, em 1945. Era nome certo para a Copa do Mundo de 1950, no Brasil, mas acabou cortado pelo técnico Flávio Costa por causa de uma grave lesão no joelho.


    Na despedida do Estádio dos Eucaliptos, em 1969 – vitória por 4 a 1 sobre o Rio Grande -, foi homenageado ao ingressar em campo no segundo tempo para receber um último aplauso da nação colorada. Como merecida recordação, levou para casa as redes da goleira, tanta vezes balançadas por ele, retirada com uma tesoura – emblemática.