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    Nós jamais deixamos de acreditar

    Uma camisa pesada não mostra seu valor apenas no momento de levantar a taça. Um time, para se tornar gigante, não pode esperar sofrer apenas nos instantes que antecedem a consagração de um título; pelo contrário. É no dia a dia, a cada mês ou ano, que uma equipe campeã forma sua casca. Poucas têm a mesma que o Inter, especialmente em confrontos eliminatórios. Há exatos 11 anos, no dia 20 de maio de 2009, foi o Flamengo quem provou da força colorada. Relembre a emocionante jornada!


    Uma geração inesquecível

    Falar sobre a geração que encantou Brasil e América entre os semestres de encerramento de 2008 e início de 2009 exige voltar um pouco mais no tempo. Apontada por muitos colorados como dona do futebol mais vistoso visto no Beira-Rio nas últimas décadas, a equipe começou a ser montada ainda em 2007.

    Iniciada de maneira claudicante, a temporada seguinte à dos títulos de Libertadores e Mundial teve seu primeiro semestre encerrado com a taça da Recopa. Uma semana após a conquista, o Inter anunciou oficialmente o meio-campista Guiñazú, reforço que sucedeu, em poucos dias, a chegada de Marcão. Já em julho, quem desembarcou na capital gaúcha foi Magrão, logo acompanhado pela dupla de zagueiros Orozco e Sorondo. Fechando a janela de transferências, o último contratado do ano foi Nilmar, à época já consagrado como ídolo do povo vermelho.

    De sua parte, o ano de 2008 foi iniciado com a conquista da Copa Dubai, feito sucedido pela chegada de Andrezinho, meio-campista de notória qualidade técnica. Sob o comando de Abel Braga, o atleta conquistou, no mês de maio, o título gaúcho. Na época, o comandante do Mundial vinha alcançando grandes resultados, a exemplo da goleada por 8 a 1 sobre o Juventude, na finalíssima estadual, e da incrível virada sobre o Paraná, nas quartas de final da Copa do Brasil. Importantes para encaminhar um fim de primeiro semestre positivo, os triunfos passaram pela segurança de uma defesa formada pelos titulares absolutos Índio e Marcão, contaram com a consistência de um meio de campo aberto por Magrão e Guiñazú, e ainda atestaram a letalidade de uma linha de frente estrelada por Nilmar, Iarley, Fernandão, Alex e, por vezes, André.

    O início do Brasileirão, contudo, reverteu o cenário de otimismo até então vivenciado no número 891 da Padre Cacique. Como consequência, no dia 12 de junho foi anunciado um novo comandante para o Internacional. Tite chegou e, com ele, vieram mudanças impactantes no elenco. A maior de todas, sem dúvidas, foi a saída de Fernandão, após quase quatro anos de sua estreia pelo Colorado. Na semana anterior, Iarley também deixara o Clube. Novos craques, portanto, eram necessários para atender à expectativa de uma torcida cada vez mais habituada a torcer por grandes nomes. Os primeiros a chegar, inclusive, foram velhos conhecidos. Bolívar e Daniel Carvalho desembarcaram em Porto Alegre no mês de julho, assim como Gustavo Nery, Danilo Silva, Rosinei e, alguns dias depois, D’Alessandro, argentino contratado com status de ídolo. Por fim, em agosto vieram Álvaro, para a zaga, e Lauro, goleiro.

    Lauro; Bolívar, Índio, Álvaro e Marcão; Edinho, Magrão, Guiñazú e D’Alessandro; Alex e Nilmar. Frequentes, ainda, Clemer, Andrezinho, Ângelo, Gustavo Nery, Adriano e Taison. Poesia? Não, apenas os nomes mais recorrentes do elenco campeão da Sul-Americana em dezembro de 2008, taça até então inédita para o futebol brasileiro, erguida após decisão contra o Estudiantes, coroando campanha invicta que passou por cima, também, de Grêmio, Universidad Católica, Boca Juniors e Chivas Guadalajara.

    O troféu consagrou a excelente fase de uma equipe que parecia jogar por música, e que, para 2009, teve grande parte de sua espinha mantida. As mudanças ficaram por conta de Alex, Marcão e Edinho, que partiram. Em seus lugares, assumiram, respectivamente, Taison, Kléber e Sandro. O primeiro e o terceiro já estavam no grupo, enquanto o lateral, de Seleção Brasileira, chegou no início do novo ano. Para a composição do elenco vieram, ainda, entre outros, nomes como Glaydson, Marcelo Cordeiro, Giuliano e Alecsandro.

    Dentro de campo, o nível, excelente, foi mantido – se não aprimorado. A também invicta conquista do Gauchão serve de prova irrefutável. Afinal de contas, o Estadual foi levantado com o Clube do Povo vencendo os dois turnos do Campeonato. O primeiro após superar o maior rival, e o segundo depois de acachapante goleada por 8 a 1. Sete atletas alvirrubros foram escolhidos para o time dos melhores do certame, incluindo as três novidades na escalação titular, além de Índio, Guiñazú, D’Alessandro e Nilmar. Taison, registre-se, ainda foi escolhido como craque, revelação e artilheiro da competição. Definitivamente, aquele era um time afinado, sempre embalado pelo ritmo de uma torcida eufórica, que festejava um escrete que performava à altura de um ano marcado pelo Centenário do Inter.


    Campanha (quase) irretocável

    A estreia do Inter na Copa do Brasil esteve marcada por resultado surpreendente. Apoiados por milhares de torcedores e torcedoras residentes no Mato Grosso, os comandados de Tite foram derrotados pelo União Rondonópolis, no dia 18 de fevereiro, por 1 a 0. Escalado com o time titular, o Clube do Povo não conseguiu repetir as boas atuações do Gauchão e voltou para Porto Alegre com a árdua missão de, na partida de volta, precisar buscar triunfo de dois gols de diferença. Para tanto, teve duas semanas de preparação, tempo suficiente para conquistar o primeiro turno do Gauchão e elevar a confiança, ainda maior a partir do impulso de 26 mil pessoas que, no Beira-Rio, seguiram incessantes na cantoria mesmo após o intervalo chegar com o placar inalterado. A recompensa veio na etapa final, com os gols de Índio e Alecsandro, ambos pegando rebote de bola na trave. Os tentos, valorizados também pelo grande ferrolho da equipe do centro-oeste, que contava com Odvan, experiente, e Rodrigo Moledo, jovem, em sua zaga, garantiram o Colorado na segunda fase do torneio.

    Pouco mais de um mês após eliminar o União, o Inter viajou para Campinas, onde enfrentou, no dia 8 de abril, o Guarani, abrindo a fase de número dois da Copa do Brasil. Vivendo intensa maratona, o Clube do Povo acabara de avançar para as semifinais do segundo turno do Gauchão depois de superar o Grêmio, por 2 a 1. Além disso, o Alvirrubro ainda festejava seu Centenário, comemorado há apenas 96 horas. Contra o cansaço, Tite apostou na fase iluminada de Taison, que abriu o placar aos 27, completando grande trama de Guiñazú e Andrezinho. Na etapa final, o camisa 7 voltou a balançar as redes, desta vez aos 41, após tabela com Giuliano. Os dois gols de vantagem dispensavam a necessidade de um confronto de volta, mas a exaustão gaúcha cobrou seu preço aos 43, quando Romário descontou para os mandantes e deu números finais à jornada.

    Leve. Assim o Inter chegou para a disputa dos últimos 90 minutos do duelo contra o Guarani. Não apenas pela vantagem conquistada no jogo de ida, mas também pela data do confronto, realizado em 22 de abril, apenas três dias depois da goleada por 8 a 1 sobre o Caxias, que confirmou ao Clube do Povo o título gaúcho, 39º de sua história. À vontade em campo e escalado com equipe praticamente completa – Nilmar foi o único desfalque, dando lugar a Alecsandro -, o Colorado abriu o placar logo aos 7, em jogada que contou com participação do centroavante, desviando cobrança de falta de Kleber na medida para Índio, que completou para as redes. De garçom, o camisa 9 passou para artilheiro, cabeceando, aos 16 minutos, cruzamento feito por D’Alessandro, que aplicara seu ‘La Boba’ antes de erguer na área. Ainda antes do intervalo, o gringo voltou a servir passe açucarado, este para Taison, que mandou um balaço para anotar o terceiro.

    Alçado a campo na vaga de Kleber, Marcelo Cordeiro foi o garçom do quarto gol. O lateral cruzou na medida para Alecsandro, que testou no contrapé do goleiro, marcando o seu segundo na noite. O tento foi o penúltimo da partida, acompanhado, na etapa final, pelo de Bolívar, que fez o quinto após nova jogada apoteótica de D’Alessandro. Estávamos nas oitavas, e somávamos absurdos 52 gols em 16 partidas disputadas no Gigante em 2009. Que campanha!

    A abafada Recife sediou o primeiro duelo entre Inter e Náutico pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Ocorrida no dia 29, a partida foi a última das sete disputadas pelo Clube do Povo no mês de seu Centenário. A vitória por 3 a 0, construída graças a uma atuação de gala, fechou com chave de ouro um abril de 100% de aproveitamento, e foi conquistada apesar do acidentado gramado dos Aflitos e do desfalque do lesionado Sandro, que deu lugar a Glaydson. Maestrada, novamente, por D’Alessandro, a dupla Nilmar e Taison perturbou a defesa do Timbú. Exatamente de tabela dos avantes, inclusive, saiu o primeiro, verdadeira pintura, assinada pelo camisa 9. Na etapa final, o 7 ampliou, e ainda houve tempo para Marcelo Cordeiro, aos 38, fazer o terceiro, completando jogada do argentino meio-campista.

    O Inter não precisou de muito tempo para, no duelo de volta, tornar ainda mais larga sua vantagem. Com a mesma formação da partida de ida, o Clube do Povo abriu o placar logo a um minuto. Taison interceptou troca de passes da defesa adversária na altura da intermediária, partiu em disparada, invadiu o grande retângulo e finalizou na saída do goleiro para inaugurar o marcador. Seis minutos depois, D’Alessandro cobrou falta com maestria, fazendo a bola voar de sua canhota direto para o ângulo esquerdo da meta recifense. Com o 2 a 0 no escore, coube ao Colorado administrar o resultado e esperar pelo apito final, que confirmou a classificação para as quartas nacionais.


    A ida no Maracanã

    Diante de mais de 52 mil pessoas, Flamengo e Inter disputaram, na noite de 13 de maio, a primeira partida das quartas de final da Copa do Brasil. Percebido muito antes do apito inicial, quando funcionários do Estádio proibiram os atletas colorados de subir a campo para realizar o aquecimento, o clima de decisão que pairava sobre a capital carioca se desdobrou em uma partida extremamente intensa. Logo aos 9, por exemplo, Everton carimbou a trave alvirrubra. No rebote, Nilmar escapou em velocidade, superou a marcação e foi travado apenas na área rival, já engatilhando o chute. Sete minutos mais tarde, Lauro operou um milagre em chute de Angelim, oportunidade respondida pelo Clube do Povo em cobrança de falta de D’Alessandro. Nos instantes finais da primeira etapa, Juan ainda acertou o poste vermelho, enquanto Nilmar, de novo ele, exigiu boa defesa de Bruno. Desta forma, o primeiro tempo chegou ao fim com o placar inalterado.

    “Contamos com o apoio da torcida,

    no Beira-Rio, para lutar

    pela classificação”

    Sandro, após a partida

    Disposto a garantir vantagem para o jogo de volta, o Flamengo retornou para o segundo tempo com postura ainda mais ofensiva. Bem postado na defesa, contudo, o Inter, que contou com atuação gigantesca do capitão Guiñazú, não ofereceu espaço aos mandantes, que abusaram de bolas alçadas e finalizações de longa distância. O passar do tempo, acompanhado das entradas de Alecsandro e, principalmente, Andrezinho e Rosinei, conferiram ao Colorado maior fôlego para os momentos finais, marcados por domínio gaúcho. Aos 41, André cobrou falta no ângulo, exigindo milagre do arqueiro rival. Dois minutos depois, quando a torcida vermelha já dominava o som ambiente do Maraca, o meia finalizou na trave, em lance que ainda teve Rosinei pegando o rebote e exigindo nova defesa salvadora do goleiro adversário. Infelizmente, a pressão alvirrubra não foi coroada com gol, e o duelo foi encerrado com o 0 a 0 no placar. Tudo ficava em aberto para o Beira-Rio, onde Magrão e Bolívar seriam desfalques após terem recebido o terceiro cartão amarelo.


    O jogo decisivo

    Na véspera do duelo de volta, os ingressos para o confronto já estavam esgotados. Completamente mobilizada, a torcida ansiava por, após conquistar Mundo e América, acumular novas vitórias especiais em âmbito brasileiro. Mais do que isso, superar um tradicional adversário significava, além de que manter vivo o sonho do título nacional, seguir escrevendo feitos relevantes com uma geração rara na história do futebol brasileiro.

    Minutos antes de o jogo ser iniciado, o Beira-Rio percebeu que a noite não seria decidida apenas nas quatro linhas. Ventos de áureos tempos sopraram na direção do Guaíba quando, ao mesmo tempo, Rafael Sobis e nosso Eterno Capitão pisaram no gramado do Gigante. Ídolos pelo que fizeram dentro de campo, naquele instante se preparavam para viver 90 minutos como membros da mais bela massa anônima de que se tem registro; o povo colorado. Durante a partida, nada mais seriam do que parte da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, e, com eles nas arquibancadas, uma boa dose de misticismo passou a ser esperada. Ao lado do público que lotava o templo da Padre Cacique, a dupla de heróis aplaudiu cada um dos nomes anunciados no telão da casa alvirrubra. Para campo, naquele 20 de maio, Tite mandou: Lauro; Danilo Silva, Álvaro, Índio e Kleber; Sandro, Rosinei, Guiñazú e D’Alessandro; Taison e Nilmar.

    O confronto foi iniciado de maneira muito elétrica. Meticuloso, ciente de que um gol adversário poderia comprometer todo o planejamento, o Inter soube cozinhar um Flamengo que parecia pronto para aprontar. Ineficaz, a rotação carioca não custou a diminuir, logo cedendo espaço a uma das mais intensas duplas já vistas.

    Primeiro, aos 37, Taison recebeu de Nilmar, arrancou e fuzilou. O goleiro defendeu, mas, além de incendiar ainda mais o Beira-Rio, o lance também despertou de vez os endiabrados pés que compunham nossa linha de ataque. Custaram 5 minutos para que o camisa 9 desarmasse a zaga rival, superasse a marcação e, com precisão, servisse seu parceiro. Como um rolo compressor, o jovem número 7 honrou a história de seu manto para, antes das chegadas de defesa ou arqueiro, concluir. Gol! Para o momento da descida aos vestiários, pelo menos, a classificação era nossa.

    Reiniciado o confronto, o Flamengo começou a abrir suas asas e arriscou com Ibson, em finalização de fora da área que saiu à direita. Taison e Rosinei, na sequência, responderam reforçando o domínio colorado nas ações do jogo. Cada chance desperdiçada era lamentada por 47 mil gargantas, que também souberam reforçar a zaga, vaiando quaisquer jogadas cariocas, e compor o ataque, empurrando o Inter a plenos pulmões.

    Multidão alguma, contudo, pôde conter a troca de passes entre Ibson e Kléberson, que encontrou Emerson livre para marcar. Aos trinta minutos, a igualdade era estabelecida, restando ao Inter mísero quarto de hora para alcançar a classificação. Duro baque para torcida e grupo, o cenário cobrava por imediata volta por cima, ou seria tarde demais. E a resposta, que também veio dentro de campo, foi encontrada principalmente na força de um Gigante lotado, que serviu de principal motor para a vitória.

    O apoio emanado das arquibancadas era tamanho que nem mesmo os narradores, no conforto de suas cabines e ao lado de seus microfones, conseguiram se fazer ouvir diante do grito de milhares. Em uníssono, uma massa perfeitamente amorfa e desordenada convocou o Inter, sua paixão, a atacar. E o Colorado, consciente de que tinha seu povo consigo, respondeu. Ateste com seus próprios ouvidos:

    Frequentando assiduamente a área adversária, o Clube do Povo não hesitou em apostar nos cruzamentos e bolas paradas para encurralar os visitantes. Dominado, o Flamengo não conseguia reagir e se entregava à ansiosa espera pelo encerramento da partida, única alternativa que restava no horizonte carioca. Houve, inclusive, instante em que as finalizações coloradas superaram o goleiro adversário. Mesmo nestes momentos, porém, surgiram, sobre a linha, indigestos pés rubro-negros para salvar os rivais. Até que Tite chamou Andrezinho.

    Tenho que exaltar a torcida, o grupo

    e a comissão técnica, que sempre

    acreditaram em mim. É um dia especial.

    Foi o gol mais importante!”

    Andrezinho, no final da partida

    Perito nas cobranças de falta, o camisa 17 foi agraciado com rara oportunidade aos 43 minutos da etapa final, quando Glaydson sofreu cama de gato de Ibson. De frente para a meta flamenguista Andrezinho encarou, mais do que o goleiro Bruno, um aglomerado de alvirrubros, e pareceu entender o que diziam os olhos de cada colorado que o mirava. Por breves segundos, a saudosa meta do Placar se tornou o epicentro do futebol brasileiro. No recorte de relva onde a bola repousava foi depositada a benção do Eterno Capitão, que das arquibancadas apoiava. O cobrador, por sua vez, incorporou ao seu iluminado pé direito a precisão de Valdomiro. Viveu, também, a emoção de ser Escurinho. Talismã.

    Autorizado, respirou e deu início ao mais longo de seus caminhares. Um, dois, três, quatro passos. Pé de apoio posicionado. O beijo da perna destra dado. No ângulo da baliza, o destino endereçado. Treme o Beira-Rio.

    Em dívida no escore, o Flamengo bem que tentou encontrar seu gol. Completamente anestesiado pelo perturbador urro que ecoava no trepidante Beira-Rio, entretanto, nada encontrou. Aos pontuais 49 minutos e 45 segundos foi ouvido o decisivo apito, e a classificação estava garantida. Em direção à torcida partiram os heróis para, definitivamente como um só, torcida e time celebrarem o inesquecível triunfo. Inter, semifinalista!