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Campeão da Libertadores da América
2006

O caminho para libertar a América

Uma noite que demorou 97 anos para chegar e, desde então, jamais acabou. A data em que libertamos o grito continental que há tanto teimava em engasgar nossas gargantas. Feliz a América, que no infindável 16 de agosto de 2006 encontrou em nosso camisa 9 o melhor capitão de sua história. Feliz, também, o povo colorado, que a partir do Gigante coloriu todo o continente em vermelho e branco.

Relembre a campanha colorada na Libertadores de 2006!


Os donos da América/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm
O passado

Dentro de campo, o Inter fizera por merecer o título do Brasileirão de 2005. Além disso, o elenco somava duas participações de destaque nas últimas edições da Sul-Americana. Em 2004, o Colorado chegou a eliminar o Júnior de Barranquilla, nas quartas, e somente fora eliminado, nas semis, para o campeão Boca.

Um ano depois, o Clube do Povo sucumbira, uma vez mais, para o time xeneize. Agora, na fase de quartas de final. De novo, por um placar agregado de 4 a 2 (vitória de 1 a 0 no Beira-Rio e revés por 4 a 1 na Bombonera). Carregando importantes cicatrizes - e aprendizados - continentais, portanto, e embalados por grande fase a nível nacional, os comandados de Abel Braga disputaram o grupo 6 da Libertadores da América de 2006.

Inter e Boca travaram grandes duelos na primeira década do século XXI/Foto: Marcelo Campos
Para pegar ritmo

Era grande a expectativa da torcida alvirrubra quanto ao retorno do Inter à Libertadores. Primeiro time gaúcho a disputar uma edição e, também, a chegar à final do principal torneio de clubes do continente, o Colorado precisaria superar, além da aparente inexperiência na competição, o pessimismo deixado por sua mais recente participação, encerrada com precoce eliminação na fase de grupos de 1993. Na busca por grandes resultados, todavia, também existiam motivos para o otimismo.


Anúncios de jornais em 2006 (Fotos: Memória Colorada / Djulia Roos / Jornal do Inter 2006)

O Colorado estreou na Libertadores de 2006 no dia 16 de fevereiro. Diante de 35 mil pessoas, o Clube do Povo enfrentou o Maracaibo, da Venezuela, fora de casa. Ceará, aos três minutos do segundo tempo, abriu o placar em bonito chute da entrada da área. Em breve, inclusive, o gol do lateral-direito criaria superstição ímpar entre a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. O tento, contudo, não foi o único da noite: já nos instantes finais, Maldonado empatou para o adversário e impediu o triunfo alvirrubro.

A vitória que escapou na estreia chegou na semana seguinte. Apoiado por um Beira-Rio lotado, o Inter deu show para atropelar o Nacional, tricampeão da Libertadores e algoz colorado na final de 1980, por 3 a 0. Michel, com assistência de Fernandão, e o próprio camisa nove garantiram boa vantagem ainda no primeiro tempo. Na reta final do segundo, Rubens Cardoso foi lançado por Mossoró, invadiu a área, driblou o goleiro e, mesmo sem ângulo, anotou um golaço para fechar a conta na Padre Cacique.

Abrindo o mês de março, o Inter viajou até a Cidade do México para encarar o Pumas. Como de costume naquele início de campanha continental, as redes balançaram minutos antes dos 45 – desta vez, da primeira etapa. López, de cabeça, colocou o time da casa em vantagem pouco antes do intervalo. Na volta dos vestiários, porém, Rentería mudou radicalmente o cenário da partida e, com um gol e uma assistência, para Fernandão, garantiu o posto de protagonista do confronto. Por 2 a 1, o Clube do Povo vencia e mantinha a liderança do grupo.

Classificação invicta
União entre time e torcida foi selada na vitória sobre o Pumas/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

A partida mais emocionante do Inter na fase de grupos ocorreu na noite de 22 de março de 2006. Abrindo o returno classificatório, a equipe de Abel Braga voltou a medir forças com o Pumas e contou com o apoio de mais de 42 mil colorados e coloradas no Beira-Rio. O que esse público não esperava? Que seria justamente ele o grande nome alvirrubro no confronto, responsável por não permitir desmotivação aos jogadores que, embora criassem as melhores chances, se viram parcialmente derrotados, aos 34 minutos da etapa inicial, pelo placar de 2 a 0.

"Foi fantástico. Ninguém arredou o pé, ninguém parou de incentivar. Os jogadores se sentiram orgulhosos de fazer parte deste clube. O torcedor sentiu que o resultado era injusto e incentivou o tempo todo. Sofremos, mas tivemos a competência necessária para virar o resultado" - Abel Braga
Michel, Fernandão e Gabiru: os heróis da virada no Gigante!/Fotos: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

A reação ao segundo gol mexicano foi uníssona: "Vamo, Vamo, Inter!" Em campo, o time tratou de não decepcionar seu povo. Logo aos 36 minutos, Michel balançou as redes em gol com a cara da Libertadores - brigado, chorado e, acima de tudo, colorado. No começo da etapa final, Tinga se esticou toco para conseguir um desarme magnífico e, na sequência, lançar, em velocidade pela direita, o autor do primeiro tento vermelho. Rasteiro, o atacante cruzou para Fernandão, que tirou proveito da falha do goleiro para empatar. Mais tarde, aos 30, veio a virada (merecida e conquistada). Gabiru, recebendo assistência de cabeça do Eterno Capitão, definiu de peixinho e fez o Beira-Rio tremer.

Iarley em ação na capital uruguaia: Colorado empatou com o Nacional na quinta rodada/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

No dia 4 de abril de 2006, data em que completou 97 anos de história, o Clube do Povo enfrentou o Nacional no Estádio Parque Central, em Montevidéu. Desfalcado de alguns nomes, incluindo Fernandão, o Colorado segurou a pressão charrua e voltou para casa com um importante empate de 0 a 0 na bagagem, resultado que assegurava a manutenção da liderança, agora com 11 pontos somados, e praticamente garantia vaga na fase de oitavas de final da América.

Michel marcou nos três jogos que o Inter disputou como mandante na fase de grupos/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

Finalizando a fase de grupos, o Inter recebeu, no dia 18 de abril, o Maracaibo. Escalado com novidades, a exemplo de Jorge Wagner, que retomava a titularidade na lateral-esquerda, e Rafael Sobis, devidamente recuperado de lesão sofrida no começo da temporada, o time de Abel Braga não deu chance aos visitantes. Após Adriano Gabiru marcar o único gol da etapa inicial, Bolívar, Michel e Rentería transformaram a vitória em goleada. Invicto e dono da segunda melhor campanha da Libertadores, o Clube do Povo estava, pela primeira vez desde 1989, classificados aos mata-matas da maior competição do continente!

A festa de Bolívar, autor do segundo gol colorado contra o Maracaibo/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm
Velho conhecido, novo final

Atualmente, os confrontos de oitavas de final da Libertadores são decididos através de sorteio. Em 2006, a lógica era outra. À época, a fase colocava frente a frente os melhores líderes da fase de grupos contra os segundo colocados de pior campanha. Classificado para os mata-matas na primeira posição da chave seis e com o segundo melhor aproveitamento geral, o Inter enfrentaria, seguindo a lógica de espelhamento, o penúltimo dentre os vice-líderes. Curiosamente, o adversário foi o mais do que conhecido Nacional, rival que, apesar de recentemente superado pelo Clube do Povo, despertava más lembranças na torcida vermelha.

Meses depois de conquistar o Brasileirão de 1979 de forma invicta, o Inter dos craques Falcão, Jair, Mário Sérgio e companhia havia enfrentado o mesmo Nacional na decisão da Libertadores, e, após empate sem gols na partida de ida, disputada no Beira-Rio, os adversários conquistaram o título continental graças a triunfo de 1 a 0 no jogo de volta. Passados 26 anos do revés, o Colorado se deparava com a oportunidade perfeita para vingar o passado e superar o fantasma charrua que pairava sobre a Padre Cacique.

Montevidéu virou o Beira-Rio!/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

Após um início de jogo aberto, com boas chances para as duas equipes, o Nacional abriu o placar em cabeceio de Vanzini. Sem perder a calma depois do gol sofrido, o Inter teve sua maturidade recompensada aos 45 minutos da etapa inicial, quando Fabinho foi derrubado a centímetros da área adversária. Especialista nas bolas paradas, o canhoto Jorge Wagner apostou na batida direta e acertou o ângulo de Bava, goleiro cuja única reação foi a de lamentar, ajoelhado, a vantagem que se esvaia às vésperas do intervalo.

Bava, ajoelhado, assiste ao golaço de Jorge Wagner/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

Até então, a campanha do Inter na Libertadores contava com 100% aproveitamento no Beira-Rio. Assim, muitos apostavam que o empate com gol marcado fora de casa satisfazia as pretensões coloradas. Abel pensava diferente: acreditando na virada, o comandante voltou do intervalo com o talismã Rentería no lugar de Rafael Sobis, e o atacante colombiano precisou de menos de 30 segundos para arriscar sua primeira finalização e levar perigo à defesa uruguaia. Assustada com o bom recomeço gaúcho, a torcida da casa chegou a arremessar um rojão na direção de Clemer, que precisou ser atendido por mais de dois minutos antes de reunir condições de permanecer em campo, mas nem mesmo a pressão e a violência dos locais impediram que o Clube do Povo ficasse à vontade dentro das quatro linhas.

Rentería marcou um gol para a história em Montevidéu/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

Foi à base de sua qualidade que o Colorado chegou ao gol da virada. Após interceptar cruzamento do ataque adversário, Clemer repôs jogo na direção de Fernandão. Em um primeiro momento, a zaga do Nacional venceu a briga pelo alto e afastou o perigo, mas a bola logo retornou para o Eterno Capitão, que, de cabeça, acionou Rentería. No primeiro toque na bola, feito com o pé direito, o atacante, solidário na fria noite de Montevidéu, superou o zagueiro Pallas dando-lhe um lençol. A bola caiu na entrada da área, à feição para a perna canhota do mais colombiano dos sacis, que enquadrou o corpo e soltou o foguete. Desta vez, Bava até pulou, mas nem precisava. Preciso, o arremate encobriu o goleiro e morreu no canto esquerdo da meta uruguaia. Golaço!

Naquele instante, a América inteira reverenciou a genialidade do jovem colombiano nascido em Quidbó, e ele decidiu homenagear suas raízes festejando o gol não com a fantasia de Saci, tantas vezes utilizada ao longo dos meses em que atuou no Beira-Rio, mas com a outra de suas comemorações tradicionais - o ruque-raque. Irreverente, a dança que mistura salsa com o ritmo da música das bruxas foi mal-interpretada pelo árbitro, que puniu Rentería com o amarelo. Minutos mais tarde, novo cartão resultaria na expulsão do goleador. Além dele, Ediglê também receberia o vermelho, mas inferioridade numérica alguma foi capaz de tirar a vantagem das mãos coloradas. Em Montevidéu, a vitória era do Inter: 2 a 1!

TIPO COLÔMBIA!/Foto: Jefferson Bernades/Agência Vipcomm
Uma fase, dois meses

A classificação colorada para as quartas de final da Libertadores foi assegurada com um empate sem gols no jogo de volta diante do Nacional. Uma semana depois de despachar os uruguaios, o Inter iniciou, no dia 10 de maio de 2006, nova fase eliminatória contra a LDU, campeã do Apertura Equatoriano um ano antes e classificada para enfrentar o Clube do Povo após golear o Atlético Nacional de Medellín, nas oitavas, por um placar agregado de 5 a 0 - e com a autoridade de quem encerrara os grupos somando 10 pontos e na vice-liderança da chave 5.

Empate sem gols no Beira-Rio classificou o Inter contra o Nacional/Foto: Marcelo Campos

Na altitude de quase 3.000 metros de Quito, capital do Equador, os comandados de Abel Braga até encerraram o primeiro tempo em vantagem após bonito gol de Jorge Wagner, mas o desgaste da etapa final decidiu o jogo a favor do time da casa, vencedor pelo placar de 2 a 1. A derrota deu fim a uma invencibilidade de 27 jogos do Clube do Povo e foi digerida ao longo de mais de dois meses, uma vez que, paralisada devido à iminente disputa da Copa do Mundo da Alemanha, a Libertadores só seria retomada na segunda quinzena de julho. Até lá, o povo colorado tinha duas missões: conter a ansiedade e manter viva a chama da esperança.

A Maior e Melhor Torcida do Rio Grande não somente continuou fiel como criou uma corrente de energias positivas poucas vezes vista na história do futebol brasileiro. As semanas que antecederam o jogo decisivo contra a LDU ficaram marcadas por recordes no quadro social colorado, liquidação de cadeiras disponíveis nos setores locados do Gigante e ininterrupta peregrinação ao Beira-Rio para comprar camisas, acompanhar treinos e processar todas as fés possíveis no número 891 da Avenida Padre Cacique.

Antes do jogo de volta com a LDU, Inter estabeleceu novos recordes em seu quadro social

O Inter aproveitou para aprimorar a estrutura de seu estádio. O setor de Cadeiras Locadas, por exemplo, que muito em breve receberia centenas de novos frequentadores, recebeu reformas nos banheiros e ambientes de circulação. A Central de Atendimento ao Sócio (CAS) também teve que se adaptar, fazendo plantões em série e trabalhando noite adentro. Nem mesmo a derrota para o Juventude, na última partida do Campeonato Brasileiro disputada antes da decisão pela Libertadores, arrefeceu o ânimo da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande.

O Gigante rugiu rumo à classificação para as semifinais da Libertadores/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

Passados mais de dois meses e uma Copa do Mundo na qual a equipe adversária servira de time-base para a Seleção do Equador, cerca de 40 mil colorados e coloradas tomaram as arquibancadas do Beira-Rio no dia 19 de julho de 2006. Com bandeirões, faixas, cantoria, sinalizadores e instrumentos, o povo transformou o templo da Padre Cacique em um caldeirão, pronto para cozinhar o adversário desde a entrada das equipes em campo. Iniciado o confronto, o Inter estava escalado com Clemer no gol; Elder Granja, Bolívar, Fabiano Eller e Jorge Wagner na defesa; Fabinho, Edinho, Tinga, recuperado de lesão, e Alex no meio; Rafael Sobis e Fernandão no ataque.

Recuperado de lesão, Tinga foi titular no Gigante/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

Armada com três volantes e no esquema 4-5-1, a LDU tinha um objetivo claro: fazer o relógio correr da maneira mais apressada possível. Logo no minuto de abertura do confronto, Sobis cruzou da esquerda, buscando Fernandão, e o capitão finalizou abafado por boa defesa do goleiro Mora, que aproveitou a oportunidade para ganhar alguns segundos na primeira cera visitante. Depois dessa chegada, o Clube do Povo encontrou dificuldades para levar novo perigo à protegida meta adversária. Apenas às vésperas do intervalo, em arremates de fora da área, Fernandão, Sobis e Granja conseguiram esboçar uma pressão que, embora incapaz de balançar as redes, reacendeu o pavio do Gigante.


Fernandão protagonizou as melhores chances do Inter na etapa inicial/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

A sinergia entre time e torcida fez do Inter um rolo compressor no recomeço de confronto. Aos dois minutos, Sobis costurou do meio para a esquerda e deixou a posse com Jorge Wagner, que cruzou rasteiro. A bola passou do goleiro e encontrou, praticamente debaixo das traves, o pé de Tinga. Desequilibrado pelo marcador que o perseguia, o meio-campista finalizou com muita força e mandou por cima. Segundos depois, Alex descolou lindo lançamento para Fernandão. Posicionado entre os zagueiros rivais, o capitão dominou no peito e, de canhota, definiu cruzado, tirando tinta da trave de Mora.

Colorado empilhou chances no recomeço de partida/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

A dobradinha entre Sobis e Fernandão fez história no Beira-Rio. Explosivo, o garoto de Erechim seguia à risca a cartilha do segundo atacante, desbravando espaços com velocidade para estabelecer a melhor combinação possível com o seu parceiro de setor ofensivo. Ao mesmo tempo, nosso Eterno Capitão sempre demonstrou inteligência acima da média. Ele não era um centroavante clássico, apesar do que sua estatura e o número que vestia podem sugerir. Pelo contrário, gostava de circular fora da área, atuar como um ponta-de-lança e criar vazios na defesa adversária. Exatamente desta forma, após lançamento de Jorge Wagner, Fernando iniciou a jogada do primeiro gol do Inter naquele 19 de julho.

Sobis abriu o placar e os caminhos no Gigante/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

Acionado por cabeceio de Fernandão, Sobis ficou no mano a mano com o zagueiro Espinoza. Percebendo a hesitação do adversário, o jovem atacante revelado pelo Celeiro de Ases retardou ao máximo o domínio, deixando que a bola seguisse a trajetória proposta pelo capitão durante o maior tempo possível. Já próximo da área adversária, Rafael cortou para a perna direita, entortou a espinha de seu marcador e, ao pisar na meia-lua, não economizou na força. Inter na frente!

A festa entre ídolo e súditos!

Antes amiga do relógio, a LDU abraçou o desespero e partiu para o ataque nos instantes finais, mas esbarrou na solidez defensiva do Inter, que soube esperar por um contra-ataque fatal. Neste cenário, o desgastado Rafael Sobis deixou o campo, aplaudido de pé, para a entrada de Rentería. Passados menos de três minutos, o colombiano aprontou: lançado por Jorge Wagner, o atacante acelerou nas costas da marcação, antecipou Mora e tocou por cobertura. Golaço, comemorado com cachimbo e touca de Saci pelo artilheiro talismã!

Rentería: é nós!/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

O 2 a 0 ainda não significava certeza de classificação. Caso balançasse as redes coloradas, a LDU poderia levar a decisão da vaga para os pênaltis, o que quase aconteceu no último segundo de partida. A centímetros da grande área alvirrubra, Candelário, tentando tirar proveito da encoberta visão de Clemer, que tinha todos os jogadores das duas equipes postados na sua frente, cobrou falta rasteira e no canto do goleiro. Habituado a crescer nos grandes momentos, o paredão do Inter voou no lado esquerdo, espalmou para escanteio e garantiu, finalmente, a vaga nas semifinais.


Livres do fantasma paraguaio

Depois do Nacional, as semifinais da Libertadores também apresentaram ao Clube do Povo um encontro com fantasma de seu passado. Em 1989, o Colorado comandado por Abel Braga perdera sua vaga na decisão continental para os alvinegros paraguaios do Olímpia. Traumático, o episódio retornou à memória da torcida vermelha em 2006, já que o Libertad, igualmente preto e branco e paraguaio, foi o adversário do Inter na luta pela classificação à final.

Torcida colorada marcou grande presença no Paraguai

Tal como em 1989, o Clube do Povo também abriu o enfrentamento fora de casa. No Defensores del Chaco, a torcida colorada mostrou que a ansiedade para retornar ao topo do pódio alimentava cantoria capaz de calar qualquer outra torcida. Lotado, o setor visitante foi festejado pelo próprio Abel Braga em entrevista concedida antes do embate com o Libertad.

"É muito bom saber que teremos este apoio maciço no Paraguai. O Inter é uma equipe de alma, de cor vermelha, de sangue. Contra o Libertad não vai ser diferente" - Abel Braga

Desfalcado por Tinga, o Clube do Povo foi a campo com Clemer; Bolívar, Índio e Fabiano Eller; Ceará, Fabinho, Edinho, Alex e Jorge Wagner; Fernandão e Rafael Sobis. Na etapa inicial, as melhores oportunidades de cada equipe foram criadas após os 30 minutos. Primeiro, Fernandão recebeu na altura da intermediária e deu um chapéu no marcador. Afobado, o adversário passou batido enquanto o Eterno Capitão colorado dominava no peito e adiantava a posse para, com força, finalizar de direita. Assoviou o travessão!

Pouco depois, Cholo Guiñazú conseguiu seu primeiro bom rebote no jogo. Da risca da grande área, o futuro ídolo colorado finalizou no canto, a bola explodiu no poste, cruzou em frente à meta vermelha e encontrou Riveros. Em sua segunda tentativa, este cruzou para a confusão, onde López arrematou para defesa segura de Clemer. Por fim, aos 42, Ceará suspendeu fechado e carimbou o travessão mandante. Dono da sobra, Sobis ainda ajeitou para Jorge Wagner encher o pé, mas o goleiro salvou!

O panorama de igualdade foi mantido na etapa final. Entrosados como de costume, Sobis e Fernandão cansaram a defesa adversária junto dos avanços de Jorge Wagner e Ceará e da qualidade de Iarley, que substituíra Alex. O lance mais marcante do segundo tempo, contudo, foi da equipe da casa - e, de certa forma, também colorado. Após chute forte de Riveros, a bola voou até o travessão de Clemer, bateu nas costas do goleiro e saiu a centímetros do poste direito. Dois anos mais cedo, também em uma semifinal continental, o Inter sofrera gol em lance muito parecido, na Bombonera. Agora, a bola saía. Na luta entre a camisa colorada e o fantasma paraguaio, parecíamos levar a melhor. O duelo seguia em aberto: 0 a 0 no Paraguai.

Inter garantiu a classificação no Gigante/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

No Beira-Rio lotado, o Inter dominou as ações desde o início, mas não conseguiu transformar a pressão em gol antes do intervalo. Contra o Olímpia, o Clube do Povo fora eliminado exatamente no segundo tempo, com direito a penalidade desperdiçada. A lição do passado, logo, era bastante clara: quem não faz, sofre. E o sofrimento deu as caras no recomeço de partida. Cedo, o Libertad desperdiçou a primeira de suas oportunidades. Rapidamente, Sobis respondeu. A partir dos 10 minutos, um verdadeiro filme de terror teve início na Padre Cacique.

Beira-Rio foi um caldeirão diante do Libertad/Fotos: Divulgação

Instaurando a tensão no Beira-Rio, Cáceres subiu livre após batida de escanteio e cabeceou para baixo. Clemer defendeu. Cerca de 40 segundos mais tarde, López foi lançado na grande área e só não abriu o placar graças ao desarme providencial de Bolívar, que afastou pela linha de fundo. Cobrado o tiro de canto, o mesmo atacante definiu com muito perigo para o gol alvirrubro. Depois, Riveros finalizou cruzado e Villareal se esticou no carrinho, mas não conseguiu o desvio para as redes. Ato contínuo, quem arrematou para longe foi Gamarra. Abel, então, decidiu mudar - e o fez com ousadia. Na vaga de Fabinho, entrou Rentería.

Clube do Povo sofreu no começo do segundo tempo/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm

A partir da troca, Alex foi recuado para a função de volante e Fernandão, como um ponta-de-lança, ficou responsável por municiar Rentería e Rafael Sobis, a nova dupla de ataque. Necessária para um time que se via obrigado a marcar gols, a substituição também oferecia mais espaços para o Libertad, mas os visitantes sequer tiveram tempo para pensar na melhor forma de explorá-los. Um minuto após a mudança, Alex recebeu passe de Ceará, percebeu que tinha liberdade para progredir até as cercanias da grande área visitante e, após dois toques, soltou um de seus marcantes canhotaços. Veloz, a bola voou sem oferecer chance alguma de defesa, beijou o poste e morreu nas redes. Inter na frente!


Alex comemora o golaço que deixou o Inter em vantagem no Gigante/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm
Finais - São Paulo x Inter

A vantagem colorada jogou às cordas os visitantes, que provavelmente sentiram náuseas quando, embalado pela festa do povo vermelho, Sobis começou a dançar no corredor direito de ataque. Primeiro, aos 21, o camisa 11 partiu para dentro da marcação e cruzou na cabeça de Ceará, que parou no goleiro. No minuto seguinte, a cria do Celeiro de Ases acionou Fernandão. Vindo de trás, como se fora um meia, o capitão pôde dominar, fazer o giro e enquadrar o corpo antes de definir com a canhota. Golaço! Após abrir o placar com um meio-campista recuado para a volância, o Inter chegava ao 2 a 0 através de um camisa 9 que atuava na ponta-de-lança. Brilhante, Abel!

Diante do Libertad, Fernandão marcou seu quarto gol na Libertadores de 2006/Foto: Marcelo Campos

O 2 a 0 permitia ao Inter sofrer um gol e, mesmo assim, garantir vaga na decisão. A postura ofensiva, portanto, podia ser arrefecida, razão pela qual Abel Braga chamou Wellington Monteiro para a vaga de Índio. Daí em diante, o time, armado com duas linhas de quatro, tocou a bola com segurança, deixou o tempo passar e ainda teve chance de marcar o terceiro com Rentería, em oportunidade defendida pelo goleiro paraguaio. Finalmente, aos 48 minutos do segundo tempo, ecoou pelo Beira-Rio o último apito do árbitro, oficializando o retorno do Clube do Povo, após 26 anos de espera, à final da Libertadores. Na força do Gigante, nos libertávamos do último fantasma continental!

A festa dos finalistas da Libertadores/Foto: Jefferson Bernardes/Agência Vipcomm
Veias libertas da América Latina
Finais - Inter x São Paulo
Sobis, Jorge Wagner e Tinga lendo jornal do dia da final contra o São Paulo (Foto: Arivaldo Chaves / Agencia RBS)

O Internacional conquista a América!

O time colorado conquistou o título da Copa Libertadores da América com um empate dramático por 2 a 2 com o São Paulo na noite do dia 16 de agosto no Beira-Rio. Os gols do Inter foram marcados por Fernandão e Tinga.

Sequencia do Gol do Fernandão (Fotos: Chico Sisto)
Sequencia do Gol do Tinga (Fotos: Chico Sisto)
Fabiano Eller (Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS), Rubens Cardoso, Edinho (Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS), Sobis e equipe toda comemorando a conquista (Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS)
Rafael Sobis carrega a bandeira colorada na festa do título (Foto: Daniel Marenco / Agência RBS)
Na Avenida Goethe, em Porto Alegre, festa após o título (Foto: Marcos Nagelstein / Agencia RBS) e no Beira-Rio, mais de 50 mil torcedores (Foto: Daniel Marenco / Agencia RBS)
Campeão da Libertadores da América - 2006 | Sport Club Internacional