14/07/2008

Ídolos eternos: Lula, o carrasco dos laterais

O ponta-esquerda que ainda habita os sonhos de muitos colorados

Por Luiz  Felipe Mello

Polêmico e definidor. O craque sem papas na língua. Assim pode ser definido Luís Ribeiro Pinto Neto, o Lula. Um jogador que encantava pela movimentação e pelo talento com a bola. Ser adversário no caminho do Internacional da década de 70 não era fácil. Jogar como lateral ? direito do time inimigo significava tensão e correria durante os 90 minutos. 

É possível dizer que Lula fazia hora extra quando jogava pelo Sport Club Internacional. Atuava como ponta-esquerda e também era o garçom favorito dos centroavantes da época, como era o caso de Claudiomiro. ?Com aquele jeito característico dele de conduzir a bola, sempre colada no pé, ele me deu inúmeros gols. Perdi a conta, até porque o Lula já sabia como eu jogava. Sem dúvida nenhuma, foi um excelente jogador?, avalia o ex-companheiro de clube. Lula chegou ao Internacional em 1974, depois de uma passagem pelo Fluminense.  Permaneceu no estádio Beira-Rio até 1977, quando partiu para o Sport Club Recife.  Nesse intervalo de tempo, seu temperamento impulsivo rendeu boas histórias.

A mais conhecida do público envolveu Rubens Minelli, técnico campeão brasileiro pelo Inter em 1975 e 1976. O camisa 11 se desentendeu com o comandante, que acabou pedindo demissão do cargo. O então vice de futebol do clube, Frederico Arnaldo Balvé convenceu Minelli de que não era necessário medida tão drástica. Para imprensa Balvé simplificou o caso com a célebre frase: ?Durante a semana o Lula nos incomoda, e no domingo incomoda os adversários.? Pronto. A tempestade havia passado. E o que estava por vir eram apenas alegrias.

O pernambucano de Arco Verde, nascido no dia 16 de novembro de 1946 integrou a geração vitoriosa do Internacional da década de 70. Ajudou Manga, Falcão, Cláudio Duarte, Figueroa e Carpegiani a colocar as primeiras duas estrelas na camisa colorada. Participou da seleção em 13 oportunidades e marcou dois gols. Era impetuoso e infernal. Os zagueiros de outros times se transformavam em vítimas fáceis dos seus dribles desconcertantes. Campeão por onde passou, Lula tinha fama de vencedor. O ex-jogador brilhou também no Rio e em São Paulo.

 Ex-ponteiro Lula trabalha hoje como técnico

Costumava dizer que para conquistar títulos bastava o clube o contratar. Atualmente, Lula é técnico de futebol. Trabalha há 19 anos no futebol árabe. Nunca teve oportunidade no futebol brasileiro e nas equipes que dirige, escala seu time de acordo com o adversário. No entanto, como bom ponta-esquerda que foi, gosta muito que seus jogadores atuem de forma aberta. Quando está de férias, Lula retorna para seio familiar. Descansa com sua mulher e seus três filhos. Entre um capricho e outro para o neto de quatro anos, ele deve contar o segredo do domínio de bola e a receita para infernizar qualquer lateral. Definitivamente, um grande ponta - esquerda e também um avô coruja.


Títulos conquistados:

· 1969 - Campeão do Campeonato Carioca - Fluminense
· 1970 - Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa - Fluminense
· 1971 - Campeão do Campeonato Carioca - Fluminense
· 1973 - Campeão do Campeonato Carioca - Fluminense
· 1974 - Campeão do Campeonato Gaúcho - Internacional
· 1975 - Campeão do Campeonato Gaúcho - Internacional
· 1975 - Campeão do Campeonato Brasileiro - Internacional
· 1976 - Campeão do Campeonato Gaúcho - Internacional
· 1976 - Campeão do Campeonato Brasileiro - Internacional

Clubes:

· 1964 - 1964: ABC Futebol Clube
· 1965 - 1967: Fluminense Futebol Clube
· 1967 - 1967: Sociedade Esportiva Palmeiras
· 1968 - 1974: Fluminense Futebol Clube
· 1974 - 1977: Sport Club Internacional
·1977 - 1979: Sport Club do Recife

Fotos: site do Milton Neves

* Matéria publicada na edição 28 da Revista do Inter


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