03/12/2010

Fred, a nova promessa da base do Inter

Por Marcos Bertoncello (texto e fotos)

Meia, que era lateral-esquerdo, do time juvenil, júnior e do Inter B. Conheça a história de Frederico Rodrigues Santos

Do trabalho com o avô Gercino, carregando tijolos e ajudando na casa, até a fama e os troféus vestindo a camisa do Internacional. Histórias comuns a esta são recorrentes no futebol, mas, no caso do meia Fred, o caminho que o trouxe ao Beira-Rio e seu primeiro ano do Clube foram especiais, e um tanto quanto diferente. A ambição não poderia deixar de ser a mesma: brilhar no Inter.

Jogador do time juvenil, júnior e Inter B. Assim pode ser definida sua categoria no Inter. Pode soar meio estranho, mas, em 2010, o mineirinho de Belo Horizonte, com seus 17 anos, conquistou impressionantes seis taças passando por todas estas equipes. Desde sua chegada em janeiro até agora, Fred esteve presente nas campanhas vitoriosas, em ordem cronológica, da Copa Santiago de Futebol Juvenil, Punta Cup Sub-18, Brasileirão Sub-23, Copa FGF Sub-19, Copa Ênio Costamilan e Gauchão Juvenil. Um repertório surpreendente obtido em menos de um ano por um garoto da base de um clube de futebol.

O Internacional pode se dar ao luxo de ter dois jogadores nesta condição, descartando a ideia de exceção ou obra do acaso. Afinal, trata-se do melhor do Brasil, quando o assunto é categoria de base. Eduardo Sasha, atualmente no grupo principal, também obteve as conquistas em três categorias diferentes no ano de 2010. Os dois, inclusive, evoluíram gradualmente em cada grupo.

O site do Inter fez uma entrevista exclusiva com Fred, que detalhou sua trajetória no futebol até parar nos campos suplementares do Beira-Rio; comemorou o ano de sucesso com a camisa vermelha; e revelou seus desejos e objetivos dentro do Internacional. Aliás, o garoto colorado está na relação de jogadores que disputa o Brasileirão Sub-20 neste mês de dezembro.

Na hora da foto com as taças conquistadas, no vestiário das categorias de base, foi possível perceber o brilho nos olhos dos garotos de dez e onze anos, que explicitavam a obsessão pelos troféus. Chegar, quem sabe, na mesma condição de Fred. Confira abaixo a entrevista completa:


Meia recebe medalha após título estadual juvenil conquistado sobre o Juventude

Como foi seu começo no futebol? Em Belo Horizonte, você sempre se focou nisso ou teve que trabalhar em outros lugares?

Desde pequeno, meu objetivo sempre foi ser jogador de futebol e devo isso muito ao meu avô (Gercino) que sempre me incentivou quando eu tinha ainda cinco anos. Já aos dez, eu jogava futsal no colégio Magnum, em Belo Horizonte, que, inclusive, tinha como treinador o Enderson Moreira (atual técnico do Inter B). Muitas vezes não tinha dinheiro para pagar e treinar no time e, neste ponto, o Enderson e o restante do pessoal de lá me ajudaram bastante. Quanto às outras tarefas, eu me dedicava mais a ajudar meu avô com a casa, que na época ele tava reformando. Trabalhei quase como um pedreiro, carregando tijolos e tal (risos).


Meia em ação pelo time júnior na Copa FGF Sub-19

Sua chegada aqui no Rio Grande do Sul foi em 2009? Sentiu muito a diferença de jogo entre o gaúcho e o mineiro?

Eu cheguei aqui em 2009 para atuar no Porto Alegre F.C, através do Assis (Roberto de Assis Moreira, administrador do time da capital). Atuei um ano lá e cheguei a integrar a equipe principal com 16 anos. Em janeiro, acertei com o Inter e já fui disputar a Copa Santiago com o grupo juvenil. O futebol de Minas Gerais é diferente com certeza. Aqui há muito mais força, competitividade. Lá era mais leve e eu conseguia ter um controle e um domínio melhor da bola para jogar. Se faço isso no Inter, os adversários chegam junto e não querem nem saber. Aprendi a pensar rápido.

Você é canhoto ou destro? Seguidamente nos jogos em que atua você utiliza os dois pés.

É (risos)... Eu sou canhoto. Comecei atuando como lateral-esquerdo em Belo Horizonte para depois ser deslocado para o meio-campo. Porém, bato com as duas pernas. Eu arremato melhor com o pé esquerdo, mas tenho um domínio melhor no direito.


Fred utilizando a perna direita para fazer a assistência

Com tantas subidas e descidas nos times da base do Inter, como fica para a questão física e técnica do jogador que, de repente, tem que encarar uma filosofia de trabalho diferente de cada treinador?

Era um medo que eu tinha, mas que, aqui no Internacional, isso não ocorreu. As equipes jogam no sistema 4-2-3-1, até mesmo o time principal do Inter. Esta linha de planejamento facilita e muito estas passagens do juvenil para o júnior e do júnior para o Inter B, e vice-versa. O jogador se acostuma com isso e pode apresentar seu futebol sem problemas físicos ou técnicos. E neste sistema, sempre fui o homem centralizado, no estilo que o Tinga joga hoje com o Celso Roth.

Quais são teus sonhos aqui no Inter? E que grande amigo você fez no Beira-Rio?

Eu quero estar presente no grupo que disputará o Gauchão 2011. Acho que tem que pensar grande. Foi assim que consegui chegar aonde cheguei. Tem ainda a possibilidade de disputar uma Taça São Paulo de Futebol Júnior. Ano que vem, também sonho com a Seleção Brasileira Sub-18. Seria minha primeira vez; algo incrível.

O meu grande amigo aqui é o Tinga (lateral-direito do time júnior). Como ele mora muito perto da minha casa (no bairro Hípica), estamos sempre juntos e é um cara que eu respeito muito.


Segredo para o sucesso: "pensar grande sempre"


Outras notícias
Loja Virtual