Quis o destino que os arquirrivais Internacional e Grêmio se enfrentassem pelas quartas-de-final da Copa do Brasil de 1992. Depois de eliminar o Corinthians, o colorado pegava o tricolor, que havia derrotado o novato Paraná Clube. Era a segunda vez que os rivais se enfrentavam por uma competição eliminatória. O time do Beira-Rio desejava a repetição do ocorrido nas semifinais da Copa União de 1988, quando eliminaram o mesmo Grêmio. Já o adversário só pensava em uma coisa: vingança.
No dia 6 de novembro de 1992, o confronto de número 316 da história dos clássicos seria realizado no estádio Olímpico. O Grêmio saiu na frente com um gol de Alcindo. O colorado acordou em campo e pressionou muito o gol de Émerson. Mas a bola não entrava, apesar das excelentes atuações de Marquinhos, Maurício e Gérson. Porém, em uma jogada que começou com Élson, passou por Simão e completou-se com um chutaço de Gérson, o Internacional empatou o jogo em 1a 1 e deixou a decisão para a partida de volta, onze dias depois.

Gérson: o herói da classificação.
No Beira-Rio completamente abarrotado, os fatos ocorridos no jogo de ida se inverteram. Foi o Internacional quem começou melhor e saiu na frente com um belo gol. Maurício foi até a linha de fundo e cruzou na medida para Gérson, sempre ele, fazer 1 a 0 para o colorado aos 9 minutos do segundo tempo. O Internacional ainda perdeu chances para ampliar o marcador e sofreu o castigo aos 30 minutos, quando Carlinhos empatou a partida. Nos instantes finais, sufoco tricolor e Fernández, Pinga e Célio Silva foram gigantes na defesa, salvando repetidos ataques gremistas.
Com dois resultados iguais, a decisão foi para os pênaltis. Quase à meia-noite daquela noite, o árbitro Renato Marsiglia iniciou a disputa com Alcindo. O atacante gremista isolou a bola por cima do gol de Fernández. O matador Gérson foi lá e bateu com categoria, Inter 1 a 0. Então foi a vez do viril zagueiro Vílson bater e o grande goleiro paraguaio Fernández pegou a cobrança, Inter abria grande vantagem. Marquinhos fez 2 a 0, com grande categoria. Então, Fernández se colocou na história do Internacional ao pegar a cobrança de Jandir e deixar o Inter a um gol da classificação. O capitão Célio Silva bateu forte e selou a classificação colorada, 3 a 0 nos pênaltis e o caminho para o título inédito da Copa do Brasil estava aberto.