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Rivalidade » Gre-Nais marcantes » Gre-Nal do Século
O Gre-Nal do Século foi antológico. Poderia ter sido somente o clássico de número 297 da história, mas estava em jogo uma vaga na final do Campeonato Brasileiro de 1988. A semifinal foi disputada no dia 12 de fevereiro de 1989. O Inter chegou lá depois de eliminar o Cruzeiro, e o Grêmio depois de passar pelo Flamengo.
A imprensa e a torcida tratou de criar todo o clima de expectativa do Gre-Nal do Século. Os dois times vinham de ótimas campanhas, com uma pequena vantagem do Inter, que podia empatar nos 180 minutos e na prorrogação que estaria na final e automaticamente garantiria presença na Copa Libertadores da América. O primeiro confronto foi realizado no Estádio Olímpico. Empate: 0 a 0. Provocações, brigas e mobilização por parte dos clubes ocorreram. Os ingressos para a segunda e última partida foram vendidos com antecipação. O público total presente no Estádio Beira foi de 78.083.
Estádio completamente abarrotado. Um calor insuportável naquele verão típico dos gaúchos. A fanática torcida colorada recebe o time na entrada de campo com foguetório, aplausos e gritos de guerra. O Inter foi assim escalado: Taffarel; Luis Carlos Winck, Aguirregaray, Nenê e Casemiro; Norberto, Leomir e Luis Carlos; Maurício, Nílson e Edu.
Ao apito inicial do árbitro Arnaldo César Coelho as duas torcidas silenciaram, tamanho era o nervosismo.Aos 25 minutos do primeiro tempo, um duro golpe no Inter: Marcos Vinícios faz 1 a 0 Grêmio. O resultado parcial classificava o tricolor. A comemoração gremista foi maior com a expulsão de Casemiro, lateral colorado aos 38 minutos. Acabava o primeiro tempo e a promessa de uma etapa final emocionante já se prenunciava no Gigante. Já eram sete Gre-Nais sem vitória, mas isso terminaria na etapa complementar...
O técnico Abel tratou de mexer na equipe. Substituiu o volante Leomir por um centroavante, o uruguaio Diego Aguirre, e colocou o time no ataque.
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Nilson, o autor dos dois gols no Gre-Nal antológico |
A alteração foi sábia, mas causou aflição entre o grupo colorado, como conta o centroavante Nilson, que iria escrever o seu nome na história do clássico com dois gols.
"Pensamos: Ele está louco, estamos perdendo e ele vai abrir ainda mais o time. Seremos goleados".
Mas antes disso, o técnico Abel teria dito com a toda a sinceridade que lhe é peculiar para os jogadores: "Vocês fizeram essa porcaria. Voltem lá e resolvam", esbravejou.
A vitória, garante Nílson, começou três dias antes, no primeiro Gre-Nal das semifinais, no Estádio Olímpico - empate em 0 a 0. Um fato importante envolveu o zagueiro uruguaio Trasante, e o astro colorado Maurício.
"O Trasante estava batendo demais naquela noite na tentativa de intimidar o Maurício. "Acá mando yo", gritava o jogador gremista. E seguiu batendo. "Quando entramos em campo, no Beira-Rio, o Maurício chegou ao lado do Trasante e, apontando para aquele paredão vermelho nas arquibancadas, devolveu: "Acá mando yo". Aquilo serviu para intimidar o gringo.
O próprio Nílson também foi peça fundamental naquele dia. O centroavante colorado sentia fortes dores no tornozelo direito. Inteligentemente, colocou ataduras no tornozelo esquerdo, que terminou sendo atingido durante todo o jogo, sem consequências. O pé-direito, lesionado, foi o responsável pelo gol da virada.
O Inter começou o segundo tempo melhor, a mobilização do técnico no vestiário surtiu efeito. Aos 16 minutos, o ponteiro Edu Lima sofre falta. Ele mesmo vai para a cobrança. O goleiro Mazaroppi avisa: "Cuidado o Nílson. Marcação cerrada nele, porra!". Apesar do aviso, a zaga gremista vacilou no lance. Nilson já era destaque do campeonato e goleador. A bola alçada na área por Edu encontrou Nilson, que subiu mais que todos e marcou um belo gol de cabeça. 1 a 1.

Nílson empata o jogo de cabeça.
A festa colorada sacudiu o Beira Rio. O Inter continuou pressionando e logo em seguida, num contra-ataque de Maurício, que escapou pela direita, driblou dois marcadores e chutou. A bola passou pelo goleiro, mas se encaminhava para a linha de fundo. Apareceu então, por trás da zaga, o carrasco Nílson. Ele só escorou para o gol e marcou 2 a 1 para o Internacional. Era o gol do desabafo, o gol do alívio! O torcedor colorado não esquece disso até hoje.
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Nilson marca o segundo gol no clássico: Inter vira o placar para passar às finais Brasileirão | O clássico foi transmitido ao vivo para todo o Brasil pela TV Globo. O narrador foi Luiz Alfredo que decretou a frase que entrou para a vida do artilheiro. No momento do segundo gol, Nilson se dirigiu a marca de escanteio, ajoelhou-se e o narrador definiu "Nilson não perdoa, mata!". Nilson foi o goleador do Campeonato Brasileiro de 1988, com 15 gols.
Gre-Nal 297: Ficha Técnica Internacional 2 x 1 Grêmio Data: 12/02/1989 Internacional: Taffarel, Luis Carlos Winck, Aguirregaray, Nenê, Casemiro, Norberto, Leomir (Diego Aguirre), Luis Carlos Martins, Mauricio (Norton), Niilson e Edu Lima. Grêmio: Mazarópi, Alfinete, Ttrasante, Luis Eduardo, Airton, Bonamigo, Cuca, Cristóvão, Jorginho (Reinaldo Xavier), Marcos Vinicius e Jorge Veras (Serginho) Local: Beira-Rio Arbitragem: Arnaldo César Coelho Gols: Nilson(2) e Marcos Vinicius.
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