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Flávio Pinho

Florindo, o Gigante de Ébano (matéria reproduzida na Revista do Inter nº 32)

Zagueirão brilhou no Inter nas grandes vitórias da década de 50

Por Aleco Mendes

Um dos maiores zagueiros colorados da história, integrou um forte time do Inter nos anos 50, o ‘Rolinho’ ou ‘2º Rolo Compressor’. Florindo jogou de 1951 a 59 defendendo a camisa do Inter, esteve em campo na inesquecível vitória no Gre-Nal dos 6 a 2, na inauguração do estádio do maior rival, o Olímpico. Além disso, foi um dos heróis colorados na Seleção Brasileira que conquistou o Pan-Americano de futebol, disputado no México, em 1956.

O zagueiro era titular de um dos melhores times da história do clube, tendo vencido cinco campeonatos gaúchos na primeira metade dos anos 50 e o famoso clássico Gre-Nal. Na ocasião, no dia 26 de setembro de 1954, o Inter deu um ‘baita’ presente ao adversário: uma sonora goleada no Gre-Nal dos festejos de inauguração do estádio Olímpico. O goleiro Sérgio foi o melhor jogador do tricolor, que evitou uma goleada ainda maior. Larry fez quatro gols nos 6 a 2. O Inter treinado por Teté jogou com Milton Vergara; Florindo, Lindoberto; Oreco, Salvador, Odorico; Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Canhotinho.

Já na conquista da medalha de ouro no Pan, Florindo foi chamado de ‘Gigante de Ébano’. O apelido dado pela imprensa que fazia cobertura do campeonato foi em razão de sua grande exibição do início até a grande final contra a Argentina. “Antes de irmos diziam que não seria possível uma seleção de província representar o Brasil lá fora. Fomos e vencemos no México”, orgulha-se. A Seleção Brasileira no Pan-Americano foi formada basicamente por jogadores gaúchos, sendo oito do Inter – entre eles os atacantes Larry, Chinesinho, Luizinho e Bodinho.

Quem trouxe Florindo do Flamengo para o Inter foi o lendário técnico Teté. O defensor chegava ao antigo estádio dos Eucaliptos para fazer história, não só nos gramados. “O Ephraim Pinheiro Cabral, presidente na época, me perguntou se eu tinha um centroavante para indicar e então não pensei duas vezes e o Larry também veio do Rio de Janeiro para o Inter”, conta Florindo, que hoje vive em Porto Alegre. Para muitos, ele foi ainda maior na história colorada: “Florindo e Figueroa foram os dois melhores zagueiros que eu vi jogar nestes quase cem anos do Inter”, ressalta o ex-goleiro Milton Vergara.

No entanto, o fato que mais lhe marcou na carreira não foi o Gre-Nal nem o Pan e, sim, outro clássico Gre-Nal no Estádio Olímpico. “Foi quando em um ataque adversário eles iriam fazer um gol de cobertura no goleiro La Paz, então usei minha disposição e velocidade para fazer a cobertura na linha do nosso gol. Tirei a bola de bicicleta e ela saiu por cima do travessão. Todos aplaudiram em pé, não só os colorados”, relembra. Para Florindo, hoje o futebol é mais fácil, antes o adversário era mais difícil de ser marcado e a forma física tinha que ser excepcional pela dificuldade de recuperação de eventuais lesões. “Talvez hoje fizesse mais sucesso com as qualidades que eu tinha naquela época”, avalia o Gigante de Ébano.



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