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1º/09/2009

Artigo: O Inter na globalização do futebol

Por Marco Antônio Zamboni Zalamena

O anúncio da inédita parceria estratégica entre Inter e Tottenham exalta mais uma vez as iniciativas administrativas do Clube do Povo junto à globalização do futebol

O centenário Inter, detentor da maior “fábrica” de jogadores do Brasil, vai ao encontro de um dos maiores clubes da Inglaterra, o Tottenham. O Spurs, como também é chamado, foi o primeiro clube inglês a aceitar jogadores estrangeiros após uma forte recessão de caráter nacionalista que boicotou a entrada de jogadores estrangeiros na Inglaterra durante 45 anos. Este impasse, entre 1933 a 1978, foi solucionado através de pressões da Comunidade Européia aos clubes ingleses que, a partir de então, começaram a empregar jogadores de fora. Tal rejeição era uma resposta ao amplo avanço dos processos de globalização, os quais também atingem o futebol.

A anunciada aproximação dos dois clubes traz à tona um fato histórico e peculiar. O clube inglês foi um dos que clamou pela modernização do futebol no país na década de 60, imprimindo um estilo de jogo no qual a posse de bola, o posicionamento, o raciocínio lógico e o passe curto e rápido eram nítidos em suas partidas. Um dos pontos anunciados pelos presidentes do Internacional, Vitorio Piffero, e do Tottenham, Daniel Levy, foi o de fomentar o intercâmbio de jogadores. Tal iniciativa é muito válida, pois colocará jogadores formados nas categorias de base do Inter no mercado europeu, além de compartilhar conhecimento sobre a formação de atletas. No entanto, a importação e exportação de jogadores não será a única atividade entre os dois clubes, como enfatizado pelo presidente do Internacional.

Sobretudo, esta parceria deverá ser baseada na reciprocidade. Se por um lado o Tottenham irá aprender como “fabricar” jogadores, o clube gaúcho irá avançar seu conhecimento nas áreas de marketing internacional através do auxílio na prospecção de patrocínio estrangeiro, licença de produtos e serviços, propaganda e relações públicas internacionais. O Inter aprenderá, por exemplo, como modificar estratégias nacionais de marketing para entrar no mercado inglês através da troca valiosa de conhecimento com o Tottenham. O recente acréscimo do nome completo do clube em seu distintivo já é um avanço do marketing colorado para inserção da sua marca no exterior e foi realizado após uma análise de mercado internacional. Outro ponto importante desta parceria será a valorização da marca Inter e o seu espraiamento a lugares até então não conhecedores do vermelho e branco mais glorioso das Américas. 

Vale lembrar também que a cultura inglesa de negócios difere da brasileira – por exemplo, a maioria dos clubes europeus é administrada nos moldes de multinacionais, e mais uma vez, o Tottenham é notícia. Em 1983, tornou-se o primeiro clube da Inglaterra a lançar ações no mercado. Ademais, a renda total da Liga Inglesa, que gira em torno de um bilhão de libras esterlinas (cerca de 3 bilhões de reais) por ano, representa uma ótima oportunidade ao clube gaúcho em aprender a conduzir negócios dentro de mercados expressivos. Neste caso, o avanço na profissionalização do clube será imprescindível e resultará, por exemplo, no aumento da sua receita.   

Nos vários pontos positivos e nos aprendizados resultantes desta parceria, o mais importante será a afirmação do Inter no cenário internacional, tanto no quesito “futebol” quanto “administração”. A globalização do futebol exige iniciativas como esta firmada entre Inter e Tottenham, pois a profissionalização do esporte está cada vez mais interdependente. Portanto, num contexto global onde o capital do conhecimento desponta como um dos “bens” mais valiosos da humanidade, os clubes de futebol devem procurar driblar suas dificuldades econômicas através da cooperação. E isto, para o Inter, parece não ser uma barreira, mas sim, uma exigência natural da globalização do futebol. 


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