20/11/2007

GUIÑAZU: FERA COLORADA

Por Felipe Silveira
Fotos: Alexandre Lops

O amor pelo futebol sempre acompanhou a vida do argentino Pablo Horacio Guiñazu. O contato com a bola vem desde muito cedo. Aos cinco anos, já arriscava chutes e dribles nos campinhos de General Cabrera, pequena cidade situada na Província de Córdoba, distante 770 quilômetros de Buenos Aires, na Argentina. Enquanto assistia ao ídolo Maradona fazer sucesso com a camisa da seleção nacional, o garoto sonhava em se tornar um jogador profissional. ?Naquele tempo não tinha outro brinquedo, só a bola. Vivia correndo atrás dela. Sempre fui um fanático por futebol. Meu objetivo era ser um atleta?, conta o volante colorado.

Na escolinha de futebol do bairro, Guiñazu começou a trilhar os primeiros passos da sua promissora carreira. Aos 15 anos, jogou na primeira divisão do campeonato local pelo Écija Juvenil, tradicional equipe de aspirantes de Córdoba. Dois anos depois, despertou a atenção de observadores do Newell?s Old Boys e passou a disputar o campeonato argentino das divisões inferiores pelo time da cidade de Rosário. Em franca ascensão, o volante chegou rapidamente à equipe Sub-20 da Argentina. Pouco depois, já disputava a primeira divisão pelo time profissional do Newell?s.

Meio-campista nato, sempre cultivou o espírito aguerrido, ao melhor estilo dos jogadores argentinos. A intensa movimentação e combatividade aos adversários são as características marcantes do volante. Para se ter uma idéia, Guiñazu costuma percorrer, em média, mais de 13 quilômetros a cada partida. ?Gosto de participar do jogo. Não penso duas vezes antes de ajudar um companheiro, por isso acabo me movimentando por todo o campo?, avalia o jogador, que tem o inglês Gerrard, do Liverpool, como referencial da posição.

Após defender o Newell´s por mais de quatro anos, Guiñazu passou pelo Peruggia da Itália, Saturn da Rússia e Independiente da Argentina antes de ser contratado pelo Libertad do Paraguai. No time de Assunção, o volante virou ídolo, principalmente após a histórica campanha na Libertadores da América de 2006. E foi exatamente após a semifinal contra o Inter que Guiñazu passou a ser sondado pelo clube colorado. Após uma longa negociação, foi contratado por três anos. ?É um jogador que tem o espírito do Inter. Não tem bola perdida para ele, além de ser taticamente perfeito. Valeu cada centavo que investimos?, elogia o vice-presidente de futebol, Giovanni Luigi.


Guiñazu em ação contra o Sport-PE

Desde junho no Beira-Rio, Guiñazu está totalmente à vontade na sua nova casa. Chamado de ?Cholo? (apelido carinhoso recebido na infância que, segundo o jogador, não tem significado lógico) pelos companheiros, o volante é bem querido por todos do grupo colorado. O estilo sisudo se restringe ao campo de jogo, pois fora dele, a personalidade de Guiñazu é marcada pela descontração. ?Parece que ele já está aqui há dois anos. É um cara brincalhão que todo mundo adora. Ele fala muito bem português, mas eu e o Índio estamos sempre pegando no pé dele dizendo que ele tá falando tudo errado?, conta o bem-humorado Edinho.

O acolhimento que recebeu dos colegas de time e da torcida fomentou o sucesso do argentino no Inter. Guiñazu é um dos jogadores mais dedicados nos treinos e está sempre buscando aprimorar o seu desempenho nas partidas. É tido como símbolo de superação do grupo. ?Ele está sempre 100% fisicamente. A aplicação dele contagia os outros jogadores, pois o seu equilíbrio emocional é exemplar?, elogia o preparador físico Eduardo Silva. Com 29 anos completados em agosto e perfeitamente adaptado ao futebol brasileiro, Guiñazu vislumbra um futuro pleno no Beira-Rio: ?Estou encantado pelo Inter, de coração. Quero retribuir todo o carinho com muito empenho e vontade. Tenho certeza que ainda serei muito feliz aqui.?


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