25/10/2007

ENTREVISTA COM O TÉCNICO DO TIME DE FUTEBOL FEMININO

Técnico Ronaldo Pires projeta Copa do Brasil

A equipe feminina do Internacional se prepara para estrear na Copa do Brasil. As meninas coloradas começam sua caminhada na competição enfrentando o Juventude, no estádio Alfredo Jaconi, dia 2 de novembro. O técnico do time feminino Ronaldo Pires (foto) falou ao Site do Inter sobre a preparação da equipe.

Site do Inter - Como é que está a preparação da equipe para a Copa do Brasil?

Ronaldo Pires - A preparação está indo bem. O time é novo, mas tem atletas com muito potencial, que estão assimilando bem o início de trabalho. Já baixou um pouco a adrenalina do início, de entrar em um grande clube, que tem uma estrutura muito boa, coisa que o futebol feminino não tinha. Agora, com toda essa divulgação, com esse movimento do futebol feminino e todo esse sucesso da Seleção Brasileira, contribuiu para que essas meninas tivessem toda essa estrutura e o apoio do Internacional.

SI - Como é que se faz para trabalhar a parte psicológica dessas meninas que são inexperientes no mundo do futebol?

RP- Conscientizar elas da importância de um evento como a Copa do Brasil, de nível nacional, jogando com as melhores jogadoras do Brasil. Essas meninas nunca tiveram essa experiência. Está sendo um pouco trabalhoso cuidar da parte psicológica delas. Na parte física elas estão bem, mostrando bons resultados. A parte técnica está bem satisfatória. A parte psicológica está sendo bem trabalhada. Nós estamos conscientizando as meninas, sentando em grupos ou individualmente, e interando elas do que vem pela frente, dos desafios que vem pela frente.

SI - Existe também o trabalho de conscientização em relação à grandeza do clube que elas estão defendendo?

RP- Esse foi o tópico de uma das primeiras conversas que nós tivemos. Nós falamos sobre o lugar que elas estão chegando. Deixamos claro que o Inter é um dos maiores clubes do Brasil e do mundo, que tem uma estrutura excelente e está dando todas as condições para essas meninas crescerem. Elas estão bem cientes da grandeza do Internacional.

SI- Existe alguma diferenciação na preparação pelo fato de se tratar do futebol feminino?

RP - Não tem diferenciação. Claro que a velocidade é um pouco menor, na parte física nós exigimos o máximo delas assim como no masculino, mas as exigências são mais brandas, as meninas não conseguem atingir o mesmo nível de força do masculino. Acho até que poderiam existir adaptações no tamanho do campo para que elas se sentissem melhor, mas estão bem adaptadas e a preparação é muito semelhante a do masculino. Só a parte psicológica tem que ser muito mais trabalhada do que a parte física e técnica.

SI- Existe algum trabalho na parte tática?

RP - A gente já faz um trabalho tático com elas, apresentando de forma bem teórica, com slides e quadros, os diferentes sistemas de jogo. O masculino tem uma vantagem nesse sentido que desde pequenos eles tem as escolinhas que vão conscientizando os meninos. No feminino não. As meninas começam com 12, 13, 14 anos, aprendendo o básico, mas nada muito aprofundado. Isso acontece porque antes não havia o profissionalismo no feminino e as meninas deixavam o futebol aos 15, 16 anos. Hoje já temos um trabalho bem legal de parte tática, elas já estão bem cientes do que devem fazer e nós temos um padrão de jogo bem determinado. Agora é só colocar em prática dentro do campo.

SI- Na sua avaliação, existe tempo hábil para que a equipe esteja pronta para a estréia?

RP - Acredito que sim. As mulheres assimilam o aprendizado mais rapidamente que o homem, apesar da pouca experiência. Acredito que estaremos em boas condições, talvez não 100 %, mas 70 a 80 %, para a estréia contra o Juventude.


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