22/10/2019

Lenda da ponta-direita, há 80 anos Tesourinha estreava pelo Inter

Há 80 anos, Osmar Fortes Barcellos, o Tesourinha, inaugurava seu casamento com o Internacional ao estrear com a camisa colorada. Ou melhor, selava o matrimônio, uma vez que desde sua infância, vivida nos arredores das primeiras canchas alvirrubras e marcada pela mistura de futebol e samba, principalmente do bloco dos 'Tesouras', o futuro ídolo já construía biografia em muito atrelada à do Clube em que faria história, este de cores definidas por outro bloco, o dos Venezianos, e de vida voltada para o povo.

De acordo com registros do acervo histórico do Clube, a primeira jornada de Tesourinha vestindo vermelho aconteceu no dia 22 de outubro de 1939, em partida contra o Cruzeiro-POA, válida pelo Campeonato Citadino daquele ano. Na ocasião, Osmar substituiu simplesmente Carlitos, ponta-esquerda que viria a se tornar o maior artilheiro da história colorada. Tesourinha, inclusive, atuava no mesmo setor do goleador máximo do Internacional, mas precisou se adaptar ao flanco direito pois, como o passar dos anos mostraria, conceber o Inter sem um dos integrandes de uma de suas mais letais duplas de ataque não seria possível.

É bem verdade que Tesourinha não balançou as redes em sua primeira partida pelo Inter. Felizmente, contudo, seus tentos não foram necessários, e o Clube do Povo deixou o campo vencedor por 2 a 1. Quem marcou os gols colorados foi Brandão, em partida que viu o Alvirrubro ser escalado com Júlio no gol, Alfeu e Risada na defesa, Nenê, depois Celso, Magno e Levy no meio, além de Rui, Russinho, Brandão, Moacir e Carlitos, depois Osmar Barcellos, no ataque.

Deste triunfo em diante, vieram mais centenas na história do camisa 7 no Inter, que resultaram em oito conquistas estaduais, outras oito municipais, e a consagração do ponteiro como eterno na biografia alvirrubra. Integrante do Rolo Compressor, Tesourinha formou, junto de Carlitos, Adãozinho e Villalba, um dos principais ataques da história do futebol brasileiro. Também ao lado do Rolo consagrou o Clube do Povo como maior time do Rio Grande do Sul, e garantiu ao Colorado a supremacia no histórico do clássico Gre-Nal.

Tamanha magnificência nos gramados gaúchos garantiu a Tesourinha feito raro para os atletas de nosso estado: ser convocado para a Seleção Brasileira. E, superando qualquer desconfiança que o bairrismo imperante no selecionado poderia impôr a um forasteiro do eixo Rio-São Paulo, o camisa 7 também foi notório com a amarelinha. Pela Canarinho conquistou a Copa Roca, em 1945, a Copa Rio Branco, em 1947 e 1950, a Taça Oswaldo Cruz, também em 1950, além, é claro, da Copa América de 1949. Individualmente, ainda foi eleito o melhor ponta-direita da América nos anos de 1945 e 1946.

A história entre Tesourinha e Inter durou uma década inteira, esgotando-se apenas nos últimos meses de 1949, quando o atacante foi contratado pelo Vasco, que por seus dribles carnavalescos e gols implacáveis pagou uma fortuna. Emocionante, sua despedida em nada afetou o carinho da torcida pelo eterno camisa 7, provavelmente o maior ponta-direita de nosso futebol ao lado de Garrincha. Perpétuo no mais prestigiado degrau do Panteão colorado, Tesourinha faleceu em 1979, aos 57 anos, mas seu legado segue vivo até hoje, manifestado sempre que um jovem colorado domina a bola pela ponta e é visto um fintando um zagueiro.


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