26/08/2019

A magia de um Gigante: Jogando junto à torcida, em 2007 o Inter lutou, e virou

A próxima quarta-feira (28/08) promete ser de fortes emoções para a torcida colorada. Diante de um respeitável adversário, jogando em desvantagem, o Clube do Povo colocará 110 anos de história na ponta da chuteira, para, empurrado pelos gritos de sua gente, buscar a classificação às semifinais continentais. Ainda bem que temos nossa biografia escrita em vermelho.

Rubro tom usado pelos guerreiros antes de uma batalha, a cor se confunde à vida do Inter, legítimo combatente que jamais se permite iniciar um duelo derrotado. Gigante Colorado das glórias, que, sempre apoiado pela Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, cansou de reverter resultados tidos pelo público externo como improváveis. O segredo de nossa persistência? Nunca deixamos de acreditar.

O século XXI alimentou nossa determinação em lutar até o último centímetro de grama. Por diversas vezes corremos a ponto de o sangue se misturar ao barro, o meião à pele, a chuteira ao encouraçado da bola. Cancheiro como poucos, dono de camisa das mais pesadas do esporte continental, o Inter vê sua mística crescer ainda mais em mata-matas, seja nas primeiras fases, ou na grande decisão. Em 2007, por exemplo, a virada, jogando diante de um Beira-Rio lotado, aconteceu na finalíssima.

Iniciada no dia 31 de maio em partida contra o Pachuca, fora de casa, a Recopa teve seus primeiros 90 minutos terminados com o 2 a 1 no placar para os mandantes. Resultado adverso, que serviu de motivação perfeita para a torcida colorada exercer seu tradicional protagonismo.

Filas quilométricas se formaram no Beira-Rio assim que iniciada a comercialização de ingressos, resultado dos milhares que peregrinaram ao pátio do Gigante em busca de uma entrada para a decisão da Tríplice Coroa. Multidão considerável, embora minúscula se comparada àquela que lotou o Estádio e seus arredores ao longo de toda a tarde e noite do dia 7, data do tão esperado embate. Verdadeiro caldeirão, mais apimentado do que qualquer chili mexicano, no momento em que a partida foi iniciada o número 891 da Padre Cacique estava pronto para engolir qualquer obstáculo - criando atmosfera capaz de contagiar todo o elenco.

Desfalcado de seu capitão, mais do que um 12º jogador o Clube do Povo buscava, nas arquibancadas do Gigante, um sinal de liderança. Precisava saber que poderia contar com o apoio de sua torcida, independente do tempo que a desvantagem no escore resistisse. Em resposta a qualquer inquietação, no momento da entrada dos times em campo os mais de 51 mil colorados e coloradas presentes no Beira-Rio fizeram questão de confirmar todas as expectativas. Após convocar, nome a nome, cada um dos atletas, responderam-lhes, da melhor maneira possível, que, naquela noite, Clube e Povo seriam campeões. Apitado o início do confronto, um ensurdecedor 'Vamo, Vamo Inter' tomou conta da capital gaúcha.

Enquanto o Gigante balançava de maneira ininterrupta, as redes custavam a ser estufadas. Não por culpa do Inter, que, antes dos trinta minutos, já acumulava oportunidades desperdiçadas. Mas o destino parecia reservar boas doses de tensão ao Clube do Povo, antes de ser iniciado o mais relaxado festejo. Alex, de pênalti, até abriu os caminhos ainda na primeira etapa, em gol que, ao mesmo tempo que aproximou do título, em nada afugentou o risco de uma escapa do rival. Sorte que, ao mesmo tempo em que fora atacante, empurrando o Inter, a torcida também soube defender, infernizando qualquer princípio de troca de passes mexicana.

Logo na volta do intervalo, Pinga serviu de gasolina ao incendiário Beira-Rio, acendendo não a torcida, que já estava inquieta, mas o clima de carnaval, digno de um título continental conquistado por brasileiro. Pato, pouco mais de dez minutos depois, mostrou o quão embalado estava pela arquibancada, e decidiu sambar. Pobre da coluna adversária, que entortada viu o estádio explodir, e Alexandre, de frente para a torcida, o pandemônio maestrar.

Já na reta final da partida, quem decidiu entrar na roda foi Mosquera, que, assim como toda a América, curvou-se à euforia colorada, e, atirando contra o próprio patrimônio cruzamento vindo de Pinga, salsou à brasileira. Quarto gol vermelho, e jogo encerrado. Inter campeão da Recopa, dono não apenas do continente, mas também da Coroa.Tríplice.

Conquistado o título, não faltavam destaques que poderiam ser elencados como nome do jogo. Mesmo assim, todos que vivenciaram aquela noite estiveram unânimes em reconhecer que, se existiu um protagonista na conquista, foi o Beira-Rio. Estádio de vasta história que não somente esteve lotado por uma apaixonada gente, como também tomado por inexplicável áurea. Abençoada mágica que vestiu a faixa no peito, em recompensa a um povo que jamais hesitou, e sempre acreditou.


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