16/08/2019

Há 13 anos...

Há 13 anos não conseguimos passar 24 horas sem lembrar daquela data. Noite que até demorou para chegar - quase um século -, mas que, desde o último dos apitos, segue sem acabar. O interminável 16 de agosto, dia em que a América foi libertada pela primeira vez, é, nesta sexta-feira, comemorado pelo povo colorado. 

O eterno ‘Dia sem fim’ serviu de fechamento perfeito à caminhada iniciada na longínqua Maracaibo, distante mais de sete mil quilômetros de Porto Alegre, mas que se aproximou do Beira-Rio após potente arremate do destro Ceará. Na página seguinte foi exorcizada uma antiga assombração uruguaia, definitivamente afugentada após pintura de Rubens Cardoso.

Foto: Jefferson Bernardes/@agenciapreview

O temperado elenco colorado ficou ainda mais indigesto para os rivais após as pitadas de tempero mexicano herdadas de duas viradas heroicas sobre o Pumas. Assim construímos a terceira melhor campanha e avançamos às eliminatórias, fase na qual estreamos superando, uma vez mais, o ex-algoz charrua.

Os 97 anos de espera pelo título continental pareceram pouco comparados ao intervalo entre os confrontos de quartas de final. Ainda bem que Sobis e Rentería, como se estivadores fossem, souberam demover das costas coloradas o peso da ansiedade, confirmando o Clube do Povo como um dos quatro melhores times da América.

Despontaram então como adversários os paraguaios do Libertad, donos de encrespado elenco, liderado por um incansável argentino, baixinho e careca, tal de Pablo Horacio. Guiñazú, verdade seja dita, bem que tentou, até a trave de Clemer beijou, mas, para sua infelicidade, (ainda) não era sua hora.

Foto: Jefferson Bernardes/@agenciapreview

Pelas pernas de Fernandão e Alex chegamos à final, disputada contra um campeão do mundo. Vencedores do planeta, que enfrentaram o extraterrestre menino de Erechim. Loiro camisa 11 que, calçando divinas chuteiras que abençoaram seus endiabrados pés, suscitou uma hecatombe no Morumbi, entortando, ou melhor, rasgando a zaga são paulina, que boquiaberta carecia de um antídoto para segurá-lo. 

Mais decididos, os defensores vieram ao Beira-Rio imaginando que a melhor maneira de parar Sobis seria na pancada. Assim, aos 28 minutos cometeram mais uma das muitas faltas impostas ao incansável atacante. Desta vez, a irregularidade aconteceu pela esquerda. Na cobrança, Jorge Wagner. Pobres dos visitantes que, naquele instante, descobriram, de uma vez por todas, a força do grupo alvirrubro.

Foto: Jefferson Bernardes/@agenciapreview

Da cobrança precisa à falha de Ceni, passando pelo oportunismo de Eller, a bola chegou na medida para o carrinho de Fernandão. Um libertador com cara de sul-americano, barbudo, cabeludo e raçudo, que se atirou na bola como se fugisse de amarras quase seculares para, em um vibrar de barbante, dominar o continente. Seu feito, histórico, foi celebrado por dezenas de milhares, que fizeram tremer o mais alvirrubro dos templos. No coliseu colorado, os guerreiros do Inter tinham um. O adversário? Zero.

Sublime momento divisor de águas em que Fernandão abriu não o mar, mas sim um continente vermelho.

Depois do intervalo, os paulistas até assustaram, mas pouco demorou para um típico gaúcho da capital, cria do nosso solo, de raízes coloradas, reforçar o nome do mandante da noite. De Porto Alegre para a América, Tinga, no mais corcunda dos gols de cabeça, decretou o pandemônio na beira do Guaíba. Ensandecido, o público bradou, primeiro, pelo artilheiro, e, depois, contra a injustiça de uma arbitragem que tomamos como vilã - toda epopeia precisa de inimigos bem definidos, com o Inter não seria diferente. 

Foto: Jefferson Bernardes/@agenciapreview

Com o desenrolar do tempo, a vitória, de fato, não aconteceu, mas as mandingas e rituais que tomaram o Gigante nos últimos minutos garantiram o melhor empate que já vivemos. Tudo igual no placar, mas, levantando a taça, apenas o Clube do Povo, que até hoje vive no topo do altar continental, de onde jamais nos separaremos. 

Foto: Jefferson Bernardes/@agenciapreview


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