23/06/2019

Hermanos colorados: relembre a trajetória de campeões argentinos no Clube do Povo

Nascido em 15 de abril de 1981, fez sua estreia como jogador profissional em 28 de maio de 2000. O primeiro jogo com a camisa colorada aconteceu em 13 de agosto de 2008, e, dois anos e cinco dias depois, veio a conquista da América. Definitivamente, não são poucas as datas que marcam a carreira de D’Alessandro. Poucas delas, entretanto, são tão precisas quanto este domingo, 23 de junho, dia do atleta olímpico.

D’Alessandro foi medalhista de ouro nos jogos de 2004, disputados na Grécia. Em 2019, poderá comemorar tão importante data assistindo de perto sua seleção. Isto porque hoje, às 16h, a Argentina entra em campo na capital dos gaúchos, enfrentando o Catar, em partida válida pela terceira rodada da fase de grupos da Copa América. Um dos maiores ídolos colorados de todos os tempos, D’Ale também fez história vestindo as cores de seu país, aumentando a lista de hermanos vitoriosos tanto com o manto vermelho, quanto com a listrada celeste y blanca. Relembre agora algumas destas histórias:


Andrés Nicolás D’alessandro

Pouco mais de um ano depois de sua estreia como jogador profissional, à época atuando pelo River Plate, D’Alessandro conquistou sua primeira grande taça pela seleção argentina, a Copa do Mundo Sub-20. Jogando em casa, os hermanos estiveram arrasadores no certame, graças a uma geração extremamente promissora que contava com nomes como Javier Saviola, Maxi Rodríguez, Leonardo Ponzio, além, é claro, de ‘El Cabezón’, que teve o alto nível de suas exibições recompensado com o prêmio de segundo melhor jogador do torneio.

Logo na estreia, nossos vizinhos justificaram o favoritismo que lhes vinha sendo dado com uma vitória tranquila sobre a Finlândia, por 2 a 0, construída a partir dos golaços de Maxi Rodríguez e D’Alessandro. Aos 20 anos de idade, o futuro ídolo colorado recebeu de Saviola na entrada da área, pela esquerda, e soltou a bomba, sem chances para o arqueiro adversário. D’Ale usou a camisa 15 no campeonato, mesmo número empunhado em sua primeira temporada no Clube do Povo.

Os hermanos encerraram a fase de grupos com duas goleadas. Na segunda partida, contra o Egito, um sonoro 7 a 1, sucedido por massacre sobre os jamaicanos, desta vez por 5 a 1. Contra os caribenhos, D’Alessandro deu show, oferecendo assistência milimétrica para o primeiro gol, sofrendo o pênalti do quinto, e ainda criando as jogadas dos segundo e terceiro tentos.

O início da fase eliminatória não foi fácil para os mandantes. Nas oitavas de final, contra a China, a vaga foi conquistada através de sofrido triunfo por 2 a 1, com o gol da vitória saindo apenas a dez minutos do fim. Nas quartas, contra a França, outra equipe tida como favorita, o placar de 3 a 1 transpareceu falsa tranquilidade, uma vez que até os 37 da segunda etapa a vantagem hermana seguia mínima. Foi somente a partir das semifinais que a campanha deixou de ser dramática, como um tango, para se tornar leve e festiva como uma Cumbia - comandada pelo ritmo de D’Alessandro.

Nas semifinais, ‘El Cabezón’ esteve sublime. Participou da jogada do primeiro gol, repetiu o protagonismo no segundo tento, anotou o quarto, um dos mais bonitos da história das Copas, e ainda deu início ao lance do quinto, desfilando seu tradicional ‘La Boba’, entortando a zaga adversária na linha da grande área.

Após despachar os paraguaios por 5 a 0, os hermanos chegaram à grande final. O adversário seria a seleção de Gana, equipe que eliminara o Brasil nas quartas.

Mais de 30 mil pessoas lotaram as arquibancadas do estádio José Amalfitani no dia 08 de julho de 2001, data da decisão da Copa do Mundo Sub-20. Multidão esta que incendiou a equipe da casa, e pareceu intimidar os adversários africanos. Se impondo desde o primeiro minuto, a Argentina abriu o placar logo aos seis, em cabeceio de Diego Colotto, completando falta que fora sofrida por D’Ale.



Menos de dez minutos depois, D’Alessandro cruzou na cabeça de Saviola e viu seu companheiro de River Plate marcar o segundo. Já na etapa final, aos 28, ‘El Cabezón’ exibiu visão de jogo que o acompanha até os dias de hoje, e deixou Maxi Rodríguez na cara do gol para dar números finais a partida. Argentina 3 a 0, e o tetracampeonato mundial da categoria estava garantido, muito graças à canhota abençoada de seu camisa 15. 

Três anos após colocar a primeira faixa no peito, o segundo título chegou. Passado o vice da Copa América em 25 de julho de 2004, a Argentina se sagrou campeã das Olimpíadas de Atenas praticamente um mês depois, no dia 28 de agosto. Os hermanos abriram a fase de grupos com vitória maiúscula sobre a seleção de Sérvia e Montenegro. O placar final foi de 6 a 0, com D’Alessandro dando assistência para o segundo gol.

Na rodada seguinte, contra a Tunísia, nova vitória, desta vez por 2 a 0, encaminhou a classificação para as eliminatórias, que foi confirmada após triunfo sobre a Austrália, pelo placar mínimo. O autor do único gol da partida foi D’Alessandro, em bonito chute de perna esquerda na entrada da área.

Nas quartas de final, os comandados de Marcelo Bielsa não deram chance à Costa Rica, vencendo por 4 a 0. Nas semis, novo passeio, desta vez sobre a tradicional seleção italiana. Tévez, D’Alessandro, Lucho González e Mariano González regeram a vitória de 3 a 0 dos hermanos sobre a Azzurra, garantindo a classificação para a final, a ser disputada contra o Paraguai.

Bastante disputado, o duelo sul-americano foi vencido por 1 a 0 pela Argentina, gol de Tévez. D’Alessandro cavou expulsão do lateral Martinez, primeiro dos dois avermelhados da equipe paraguaia na partida. Encerrado o confronto, os hermanos puderam, enfim, celebrar sua primeira medalha de ouro na história das Olimpíadas, feito que tornaria a ser repetido quatro anos depois, nos jogos de Pequim.

No oriente, os hermanos voltaram a contar com a liderança de um habilidoso camisa 15 canhoto para alcançar o título. Na China, coube a Lionel Messi o privilégio de ocupar o posto outrora dominado por Andrés Nicolás D’alessandro.


D’Alessandro, ídolo de duas nações: argentina e colorada

Sergio Goycochea

Goycochea surgiu para o futebol no argentino Defensores Unidos. De lá, seguiu para o tradicional River Plate, clube no qual se sagrou campeão da América e do Mundo. Reserva na equipe hermana, insatisfeito com a escassez de oportunidades, Sergio decidiu tentar a chance na Colômbia, onde vestiu a camisa do Millonarios. Na sequência, rodou por França e Paraguai, até chegar ao Inter, em 1995.

Quando desembarcou em Porto Alegre, Goycochea já ostentava invejável currículo. Convocado para a Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália, o arqueiro começou a competição no banco de reservas, até que o titular Nery Pumpido se lesionou na segunda rodada da fase de grupos. Goyco assumiu a titularidade, e fez história.


Após empate em 0 a 0 com a Romênia no confronto derradeiro da primeira fase, que serviu de estreia para Goycochea e confirmou a classificação argentina às eliminatórias, o goleiro se transformou em um dos pilares da equipe hermana, que defendia o título conquistado em 1986. Nas oitavas, parou Dunga, Careca, Müller e cia., ajudando a construir a vitória de 1 a 0 que eliminou o Brasil da Copa.

Nas quartas de final, Goycochea começou a provar o porquê de ser conhecido como o ‘O Rei dos pênaltis’. Após atuação segura durante o tempo de bola rolando, o goleiro cresceu nas penalidades, defendendo duas cobranças iugoslavas e garantindo a classificação para as semifinais, contra a Itália.

Goycochea e Maradona na Copa de 1990 (Reprodução/FIFA.COM)

Os donos da casa também provaram o amargo gosto de empatar com a Argentina durante o tempo regulamentar. Encerrada a prorrogação com o 1 a 1 no placar, a decisão da vaga à final foi para os tiros livres da marca da cal. Goyco brilhou novamente, salvando outras duas cobranças, e colocando os hermanos na decisão. Os alemães não permitiram que Goycochea crescesse, e marcaram, aos 40 da segunda etapa, com Andy Brehme, o gol do título - curiosamente, de pênalti.

Se é verdade que Goycochea jamais voltou a disputar uma final de Copa do Mundo, não se pode dizer que a trajetória do goleiro com a camisa da seleção nacional foi um fracasso. Pelo contrário, nos três anos seguintes ao mundial da Itália, Goyco levantou quatro taças. Em 1991, veio a Copa América, reconquistada em 1993. Entre os títulos continentais, a Copa das Confederações, em 1992. Por fim, também em 93, a Copa Artemio Franchi, contra a Dinamarca, decidida nos pênaltis, obviamente contando com o brilho do arqueiro, que defendeu uma cobrança.

Com o status de multicampeão, Sergio chegou ao Inter idolatrado pela torcida. Logo de cara, correspondeu às expectativas com grandes atuações que colocaram o Colorado nas primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Ficou no Beira-Rio até o final do Gauchão de 1996, quando se transferiu para o Vélez Sarsfield.

Passados mais de dez anos de sua saída do Inter, Goycochea ainda desperta grande carinho na torcida colorada, sentimento que é recíproco, como o ex-goleiro faz questão de destacar a cada entrevista em que cita o Clube do Povo. Em 2015, o paredão retornou ao Beira-Rio para a disputa do Lance de Craque, sendo ovacionado por todos os presentes no Gigante.

Lance de Craque, evento beneficente organizado por D’Alessandro, contou com a presença de Goycochea em 2015


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