14/06/2019

Sele-Inter: relembre ídolos colorados representando o Brasil

Depois de 30 anos, a Seleção Brasileira volta a disputar uma partida de Copa América em seus domínios. Nesta sexta-feira (14/06), o Brasil faz sua estreia no torneio em partida contra a Bolívia, às 21h30, que servirá de abertura para o certame. O confronto será o primeiro do Grupo A, que também conta com Peru e Venezuela. Nada melhor do que aproveitar o momento para matar as saudades do Colorado, relembrando alguns dos ídolos vermelhos que marcaram época conquistando títulos com a amarelinha.

Tesourinha

Primeiro atleta do Sport Club Internacional convocado para a Seleção Brasileira, Tesourinha formou, ao lado de Zizinho, Jair, Ademir Menezes e Heleno de Freitas, um dos maiores ataques já vistos no escrete nacional. Osmar Fortes Barcellos, apelidado Tesourinha em referência ao bloco de carnaval que frequentava - ‘Os Tesouras’, fundado por seu padrasto -, sempre se destacou como um ponteiro capaz de fazer sambar qualquer defensor. Driblador ágil como Garrincha, foi um dos melhores jogadores da história do nosso futebol, tendo nascido na Ilhota, região que ostentava o mais colorado dos DNAs, endereço do primeiro campo do Clube do Povo.

O chamamento que deu início à história de Tesourinha com a seleção aconteceu em 1944, ano em que se sagraria pentacampeão estadual pelo Inter. Na sua estreia, o Brasil aplicou um sonoro 6 a 1 no Uruguai. Artilheiro, o ídolo colorado balançou as redes, em um prelúdio da maravilhosa relação que estava para ser escrita defendendo a canarinho. No ano seguinte, conquistou seu primeiro título com a amarelinha, a Copa Roca, e também foi um dos destaques da campanha vice-campeã da Copa América, que o levou a ser eleito o melhor ponta-direita da continente.

Em 1947, botou sua segunda faixa intercontinental no peito, referente ao título da Copa Rio Branco. Conquistou o torneio novamente em 1950, temporada na qual também se sagrou campeão da Taça Oswaldo Cruz. À época, já vestindo a camisa do Vasco da Gama, se afirmava como uma das principais esperanças da seleção para a disputa do mundial no Brasil. Uma grave lesão no menisco, contudo, o transformou em desfalque para a Copa. Muitos dizem, inclusive, que se Tesourinha atuasse contra o Uruguai, vítima que carimbara no passado, o resultado daquela trágica final teria sido muito diferente.

O momento mais notável de Osmar com a camisa da seleção aconteceu em 1949. Nesta temporada, o Brasil sediou sua quarta Copa América. Titular absoluto ao longo de toda a campanha campeã, Tesourinha encerrou o campeonato como vice-artilheiro, anotando sete tentos, dois a menos que seu companheiro Jair, principal goleador do certame. Um título à altura da passagem do atacante pela canarinho, que se estendeu por 23 jogos, ao longo dos quais conquistou dezesseis vitórias e um empate, marcando dez gols.

O fechamento da década de 40 foi mesmo especial para Tesourinha. Em janeiro de 1949, o artilheiro foi eleito pelo voto popular, em concurso nacional realizado pelo fabricante do remédio Melhoral, o ‘Melhoral dos Cracks’. Junto à prestigiosa alcunha, recebeu também um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. No final da temporada, transferiu-se para o Vasco, encerrando uma trajetória octacampeã gaúcha pelo Clube do Povo, suficiente para consagrá-lo como um dos maiores ídolos da história colorada.

Oreco

Oreco chegou ao Clube do Povo em 1950, custando o simbólico valor de um muro. A curiosa transferência, selada junto ao Inter de Santa Maria, foi a alternativa encontrada pelo homônimo do Sport Club para recuperar a estrutura de seu estádio, severamente afetada por intenso vendaval que varrera o maior município da região central do Rio Grande. Pouco tempo depois, o ídolo colorado, que desembarcou em Porto Alegre aos 18 anos, demonstraria futebol suficiente para custar uma Muralha da China inteira.

Versátil, inteligente e disciplinado. Oreco jogava nas duas laterais, fazia a zaga, atuava no meio-de-campo e ainda aprontava as suas como ponteiro-esquerdo, em todas as funções esbanjando futebol do mais alto nível. Pelo Inter, venceu cinco gauchões e outros cinco citadinos, além do Torneios Régis Pacheco, em 1953, e de Inauguração do Estádio Olímpico, em 1954. Integrava o lendário Rolinho, comandado por Teté, que de tão qualificado chegou a representar a seleção brasileira, em 1956.

Na ocasião, dos 22 atletas convocados para representar o Brasil no Pan-Americano do México, oito atuavam pelo Inter. Junto deles, o técnico Teté foi escolhido para comandar o selecionado. Ao lado de Oreco, ídolos como Bodinho, Larry, Chinesinho, Luizinho e Florindo vestiram a amarelinha na campanha campeã invicta. O título, segundo conquistado pelo país no exterior, comprovou para toda a nação o gigantismo do Sport Club Internacional.

Oreco deixou o Inter em 1957, seguindo para o Corinthians, clube no qual atuou por outros oito anos. Em sua segunda temporada na equipe paulista, o ídolo colorado alcançou a maior glória de sua carreira. Convocado para a Copa da Suécia, sagrou-se campeão do mundo na reserva de Nilton Santos, assim se eternizando na história do futebol brasileiro.

Taffarel

Frio, seguro e arrojado nos casos de necessidade, Taffarel atuou no Inter de 1985 a 1990. Com seus milagres, foi fundamental nas grandes campanhas coloradas do final da década de 80, com destaque para os vice-campeonatos nacionais em 1987 e 1988, e a terceira colocação na Libertadores de 1989.

Desde o início de sua carreira, iniciada no Celeiro de Ases, Taffarel se mostrou um fenômeno. Em 1985, enquanto fazia sua primeira temporada no elenco profissional do Clube do Povo, o arqueiro brilhou na meta da seleção brasileira durante campanha campeã do Mundial de Juniores disputado em Moscou. Prestigiado, no ano seguinte assumiu a titularidade do gol colorado, e logo se afirmou como uma das revelações do Brasileirão de 1986.

À medida que seguiu acumulando atuações bem sucedidas na meta vermelha, Taffarel conquistou o respeito de todo o país. Desta forma, logo surgiram súplicas por sua convocação à equipe principal de nossa seleção, o que aconteceu, em definitivo, no ano de 1988, quando o goleiro foi titular na conquista do Torneio Bicentenário da Austrália. No mesmo ano, o paredão colorado alcançou a medalha de prata nas Olimpíadas de Seul, campeonato no qual atingiu ainda maior status, especialmente por seu desempenho magistral nas semifinais, defendendo três pênaltis na decisão contra a Alemanha Ocidental.

O primeiro grande título de Taffarel com a canarinho chegou em 1989, quando, atuando em casa, o Brasil foi campeão da Copa América. Mesmo tendo enfrentado craques como Maradona, Valderrama, Francescoli e Ruben Paz; o goleiro encerrou o certame com números maravilhosos, sofrendo apenas um gol em sete partidas. No ano seguinte, o camisa 1 foi o único jogador a manter seu prestígio intacto após a eliminação brasileira nas oitavas de final. Seguiu na seleção, e teve todo seu esforço recompensado na Copa do Mundo de 1994.

Nos Estados Unidos, Taffarel esteve sublime. Apenas três bolas visitaram as redes de sua baliza, mesmo número de pênaltis desperdiçados pelos italianos na decisão da Copa. Um destes foi o goleiro quem salvou, voando no canto esquerdo. Mais uma vez, o Brasil era campeão do mundo contando com a contribuição de um ídolo colorado, que em 1998 voltaria à final do torneio, conquistando a medalha de prata.

Dunga

Um legítimo líder, representante do enérgico futebol riograndense. Campeão da Copa América em 1989, no ano seguinte assumiu a braçadeira de capitão para a disputa da Copa do Mundo. Empolgado com o volante que tinha à disposição, Sebastião Lazaroni, técnico da seleção, declarou que o país estava entrando na Era Dunga. Se saísse vencedor, o gaúcho de Ijuí teria o privilégio de ser o nome do título da canarinho. Para sua infelicidade, acabou virando sinônimo da fracassada campanha, eliminada nas oitavas de final. Mas ele daria a volta por cima, levantando o mundo em suas mãos e calando todos os críticos.

Dunga foi revelado pelo Inter em 1983. Na temporada seguinte, foi um dos onze atletas colorados convocados para a disputa das Olimpíadas de Los Angeles, que legou ao Brasil sua primeira medalha de prata na história dos jogos olímpicos. Promissor, o volante deixou o Clube no próximo ano, retornando apenas em 1999.

Diferente do que o início dos anos 90 poderia sugerir, o volante chegou ao Colorado para encerrar uma das mais vitoriosas carreiras da história do futebol brasileiro. Também pudera, ao longo da década, o camisa 8 exibiu poder de recuperação invejável. De criticado na Copa da Itália, foi ao topo do pódio nos EUA depois de bater os ítalos comandados por Baggio.

Não foram poucas as críticas feitas a Parreira por convocar Dunga à Copa de 1994. Ainda mais intensos foram os apupos quando, com a saída de Raí do time principal, a cria colorada tornou a empunhar a faixa de capitão brasileiro. Mas o volante aguentou calado, engolindo em seco os ataques desproporcionais, liderando uma seleção que, a cada partida, conseguia se agigantar, assim como o camisa 8 que, na decisão, converteu sua penalidade com precisão antes de repetir Bellini, Mauro e Carlos Alberto.

Dunga também capitaneou o Brasil nas Copas América de 1995 e 1997, sendo, respectivamente, vice e campeão. Ainda atuou com a faixa na Copa de 1998, torneio no qual a seleção chegou à decisão, mas foi derrotada pelos donos da casa. De volta ao clube que o formou, o camisa 8 foi importantíssimo no final do ano de 1999, quando marcou de cabeça o gol que selou a permanência do Inter na Série A, em vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras.

Como treinador, Dunga comandou somente as instituições que mais o marcaram enquanto jogador. Em 2006, assumiu como técnico da Seleção, e seguiu na função até o final da Copa do Mundo de 2010. No cargo, conquistou a Copa América em 2007 e a Copa das Confederações de 2009.

Em 2013, o ex-volante foi anunciado como comandante Colorado. Treinou o Inter por dez meses, ao longo dos quais conquistou o Gauchão, que sagrou o Inter tricampeão estadual. Por fim, reassumiu, ao final da Copa de 2014, a casamata brasileira, permanecendo no cargo até junho de 2016.


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