01/05/2019

Duelo do Povo: relembre grandes confrontos entre Inter e Flamengo

Carlitos (D) em ação contra o Flamengo, em 1945

Inter e Flamengo fazem um dos maiores clássicos do futebol brasileiro. Um duelo da elegância, da categoria, da qualidade técnica. São encontros recheados de gols e atuações inesquecíveis. São 96 confrontos, alguns inesquecíveis para os colorados, com 35 vitórias do Inter e 33 do rubro-negro. Entre estes quase 100 confrontos, há atuações impecáveis e gigantes vitórias coloradas. Em duelos que já reuniram lendas do futebol como Leônidas da Silva e Tesourinha, craques como Falcão e Zico, e artilheiros como Fernandão e Adriano Imperador, há diversos jogos memoráveis, recorde alguns agora.

Os primeiros confrontos

Em 1945, o Rolo Compressor foi ao Rio de Janeiro e empatou em 2 a 2 com o Flamengo na Gávea. O jogo da volta, também amistoso, só ocorreu dois anos depois. Em 11 de maio de 1947, o estádio dos Eucaliptos estava lotado para ver uma atuação de gala do grande time colorado, que foi impiedoso e aplicou 6 a 2 no convidado, com três gols de Carlitos, dois do argentino Villalba e um de Elizeu. Foi, até então, a maior derrota sofrida pelo Flamengo fora do Rio de Janeiro.

Os confrontos oficiais por campeonatos brasileiros começaram em 1967, pelo Robertão, em Porto Alegre, com um empate em 1 a 1. Mas o ano seguinte, quando o Colorado foi pela segunda vez seguida vice-campeão brasileiro, os meninos do técnico Daltro Menezes deram espetáculo ao aplicarem 4 a 0 no Flamengo, em 17 de novembro. Foram dois gols de Claudiomiro, um de Bráulio e um de Dorinho, numa grande atuação para a festa da torcida colorada que lotava o estádio Olímpico, palco dos jogos dos campeonatos nacionais em Porto Alegre naquela época. Foi a maior goleada aplicada pelo Inter nas disputas pelas edições do Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão.

Antes da partida, Daltro prometera que a torcida colorada iria se "apavarorar" com o alto nível da atuação vermelha. Daltro acertou. O Inter foi a campo no Olímpico aquele dia, todo de branco, com Gainete; Laurício, Scala, Bibiano Pontes e Sadi; Elton e Dorinho; Carlitos (depois Valdomiro), Bráulio, Claudiomiro e Canhoto. O Flamengo alinhou Marco Aurélio; João Carlos, Guilherme, Onça, Paulo Henrique; Carlinhos e Liminha; Waldir, Dionísio (depois Fio Maravilha), Silva e Rodrigues Netto.

O Inter abriu o placar logo aos oito minutos, quando Bráulio lançou Claudiomiro. Explosivo, o centroavante colorado superou os zagueiros Guilherme e Onça, deslocando o goleiro Marco Aurélio no momento em que este saía do gol. Seis minutos depois, um golaço. Dorinho dominou pela meia-esquerda, na altura da intermediária, e mandou forte chute que carimbou o travessão, correu até a trave para só então cair dentro da meta. Marco Aurélio agarrou firme, evitando que as redes fossem estufadas, tentando enganar a arbitragem, mas o golaço já havia sido apitado.

O Inter descia para os vestiários com 2 a 0 no placar. No segundo tempo, novo golaço. Desta vez de Bráulio, que fez fila na defesa flamenguista e, quando viu Marco Aurélio se aproximando, magistralmente finalizou fora do alcance do goleiro. Aos 40, Claudiomiro, em potente chute, deu números finais à partida, que só não teve placar mais elástico graças às muitas defesas do goleiro rubro-negro e às excelentes interceptações do lateral Paulo Henrique.

 

Nos Anos 1970, em 16 confrontos, foram 6 vitórias do Inter, 6 empates e 4 vitórias do Flamengo. Novamente em novembro, três anos após o show de Claudiomiro, Braulio e companhia, no dia 14 de novembro de 1971, o Inter aplicava 3 a 0 no Beira-Rio. No ano seguinte, no mágico 14 de dezembro, o colorado conseguia a primeira vitória sobre o rubro-negro no mítico Maracanã, com um placar confortável de 3 a 1, gols de Volmir, Tovar e Valdomiro para o Inter, do técnico Dino Sani, que jogou com Schneider; Claudio, Figueroa, Pontes e Jorge Andrade; Tovar, Braulio e Carpeggiani (Carbone); Valdomiro, Claudiomiro (Escurinho) e Volmir. Em fevereiro de 1975, antes da excursão à Europa, o Inter recebeu o Flamengo em jogo amistoso no Beira Rio e aplicou novamente uma goleada por 4 a 0.

Clássicos nos anos 80

Na sequência, foram muitos jogos equilibrados e também grandes vitórias flamenguistas, como um 3 a 2 em 1982 no Beira-Rio. Mas um ensolarado domingo de março de 1984 reservava para o Gigante uma das maiores atuações alvirrubras diante do seu fiel torcedor. Era a segunda fase da então chamada Copa Brasil, o Brasileirão daquele ano. Em um grupo com Flamengo, Portuguesa de Desportos e Brasil de Pelotas, o Inter vinha de uma derrota por 1 a 0 em Pelotas. O Flamengo tinha uma verdadeira seleção, com Fillol, Leandro, Mozer, Junior, Andrade, Adílio e um menino chamado Bebeto. Mas o Inter tinha a infernal dupla Ruben Paz e Silvinho.

O ano foi 1984, quando após o Brasileirão, já com o técnico Otacílio Gonçalves, o Internacional teve a maior sequência de jogos sem derrotas na história. Foi um ano de muitos títulos: o tetracampeonato gaúcho, a Copa Quirin, no Japão, e o Torneio Heleno Nunes, uma competição nacional que reuniu 16 grandes clubes brasileiros. Além disso, o Colorado formava o time base da Seleção Brasileira que foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos daquele ano.

 

Ao longo do ano, o Inter desfilou grandes jogadores como Ruben Paz, Jair, Mário Sérgio, Mauro Galvão, Luis Carlos Winck, Mauro Pastor, Aloísio, André Luís, Ademir Kaeffer, Milton Cruz, Silvinho, Kita e o jovem Dunga. Porém, no Campeonato Brasileiro o time não conseguiiu chegar às finais. Mas nem isso tira o brilho daquela atuação magnífica diante do Fla.

Foi em 18 de março de 1984. O Inter entrou em campo com Mano; Alves, Mauro Pastor, André Luís e Beto; Ademir Kaeffer, Mauro Galvão e Ruben Paz; Silvio (Borracha), Milton Cruz (Silvinho) e Mário Sérgio. Milton Cruz fez 1 a 0 logo aos oito minutos. A goleada foi construída na etapa final, já com Silvinho, o "Mancha Negra" como era carinhosamente chamado pela torcida, em campo.

Com lançamentos primorosos de Ruben Paz, explorando a velocidade de Silvinho, o Inter construiu os três gols do segundo tempo pela ponta esquerda. Ruben Paz fez 2 a 0 aos seis minutos e Silvinho sacramentou a goleada com gols aos 22 e 42 minutos. As atuações de Ruben Paz e Mário Sérgio merecem nota dez na análise do tradicional Jornal dos Sports, do Rio, em sua edição do dia seguinte (19/03/1984). O Fla jogou com Fillol; Leandro, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Adílio e Lico; Lúcio, Nunes (Edemar) e João Paulo (Bebeto). Festa colorada no Beira-Rio para os 36 mil e 440 torcedores que pagaram ingresso.


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