26/04/2019

Dia do Goleiro: a dinastia de craques de luvas no Clube do Povo


Duas lendas da camisa 1 colorada: Manga e Clemer

Há quem diga que o goleiro é o maior estraga-prazeres do futebol. Infeliz posição, responsável por impedir o tão festejado gol, condenada a atuar no único recorte do campo onde a grama não nasce, estando entregue às lesões nos inchados quadris e calejados dedos. Este pensamento, certamente, não é compartilhado pela Maior e Melhor Torcida do Rio Grande.

Seja revelando verdadeiros paredões, ou contratando craques da baliza, o Clube do Povo sempre viu sua meta protegida por nomes prestigiados no futebol. Mais do que isso, não são poucos os arqueiros presentes no seleto rol de ídolos eternos do Inter. Esta tradição, diga-se, não é recente, como comprovam as figuras de Ivo Winck e Milton Vergara, respectivos goleiros das históricas formações do Rolo Compressor e Rolinho.

Milton Vergara em ação durante Gre-Nal

Conhecido como 'Escola de Goleiros', o Celeiro de Ases já revelou grandes nomes da posição, a exemplo de Schneider, camisa 1 colorado entre as temporadas de 1968 e 1970, octacampeão gaúcho pelo Inter; Gilmar, medalha de prata nos jogos olímpicos de 1984; Taffarel, protagonista no tetracampeonato mundial do Brasil; e Alisson, atual titular da seleção brasileira. Além de outros selecionáveis, como André e Renan. A herança, é bom lembrar, segue sendo honrada, fato constatado nas presenças de Carlos Miguel, Daniel e Keiller, formados nas categorias de base do Clube, dentro do grupo profissional vermelho e demonstrando enorme potencial.

Registro de Alisson como atleta amador no ano de 2006, à época com 13 anos

Também é impossível esquecer daqueles que, embora revelados por outros clubes, marcaram época no Colorado gaúcho. Clemer, com seus milagres que ajudaram a conquistar a América e o Mundo, Benítez, titular no inigualável título brasileiro invicto de 1979, e Gato Fernández, arrojado camisa 1 da gloriosa campanha da Copa do Brasil de 1992; são alguns deles. Além, é claro, do saudoso Manga, principal homenageado desta sexta-feira.

Haílton Corrêa Arruda nasceu no dia 26 de abril de 1937, em Recife, capital pernambucana. Começou sua carreira em 1955, no Sport, e de lá seguiu para o Botafogo. No Rio, Manga era o primeiro nome do estrelado alvinegro que contava com Nilton Santos, Didi, Garrincha, Zagallo e Amarildo. Suas grandes atuações chamaram a atenção de Vicente Feola, técnico da seleção, que o convocou para a Copa do Mundo de 1966. Três anos depois, transferiu-se para o Nacional, de Montevidéu, onde permaneceu até ser contratado pelo Inter, em 1974.

Em Porto Alegre, Manga fez história. Bicampeão brasileiro, três vezes vencedor do campeonato gaúcho, encantou colorados e coloradas por seu gigantismo debaixo das traves. Magistral na defesa de cobranças de falta, excelente nas reposições, preciso para não ser enganado pelos chutes mais venenosos, Manguita pode se orgulhar de ter sido praticamente perfeito durante os anos em que defendeu o Clube do Povo. Foi nesta época, mais precisamente em 1976, que teve seu maravilhoso currículo recompensado com a oficialização do Dia do Goleiro na data de seu aniversário. Uma homenagem justa a um dos maiores arqueiros da história do país.

Manguita Fenômeno, o lendário arqueiro vermelho

Atualmente, o Inter segue se destacando na posição. Movidos pela responsabilidade de estar à altura da extensa lista de craques que já defenderam a meta colorada, Daniel Pavan e Durge Vidal, responsáveis pela preparação de goleiros profissionais do Clube, vêm desempenhando grande trabalho, nacionalmente reconhecido pelos frutos que têm sido colhidos.

Marcelo Lomba, hoje o titular colorado, foi eleito, em mais de uma votação, o melhor goleiro do Brasileirão de 2018. Danilo Fernandes, recentemente recuperado de lesão que o afastou dos gramados na temporada passada, chegou a ser convocado para a seleção brasileira no início de 2017, após se destacar com a camisa do Inter no ano anterior. Daniel e Keiller, nas oportunidades que receberam, também foram notórios, conquistando a confiança da torcida. Desta forma, o Clube do Povo segue comprovando a máxima de que, todo grande time, começa por um grande goleiro.

Marcelo Lomba, atual titular - meta colorada segue bem protegida


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