07/09/2018

A conquista do primeiro título gaúcho

A edição do "Diário de Notícias" de 7 de setembro de 1927 contempla a decisão do campeonato gaúcho, naquele dia, com uma página inteira, dando inclusive as biografias de todos os jogadores do dois times da partida, Internacional e Grêmio Bagé.

Os jogos naquele tempo tinham apenas 80 minutos - em dois tempos de 40 minutos, com um intervalo de 10 - e o árbitro da final de 1927, nos Moinhos de Vento, estádio do Grêmio, foi Rodolpho Del Bagno. O Inter ganhou do Bagé por 3 a 1, levando a sua torcida à loucura. Antes mesmo do início da partida os torcedores colorados já vibravam muito, incentivados pelo médio gabrielense Ribeiro e pelo zagueiro canoense Grant, que entraram em campo antes do jogo para bater bola, sim, mas também para fazer exatamente isso: sacudir e levantar a torcida.


No Estádio da Baixada, o Inter venceu o Bagé por 3 a 1 

O médio Ribeiro era ídolo da torcida do Inter, na época, mas na decisão de 1927, ele parecia estar num grande dia de azar. Sua maior virtude era o chute de extrema violência, especialmente em cobranças de falta. Logo no início do segundo tempo, Inter vencendo por 1 a 0 - o gol do capitão Barros, no 39º e último minuto do primeiro tempo - pênalti contra o Bagé, a chance de definir o resultado do jogo, e quem vai cobrar? Ribeiro, naturalmente. Mas ele chuta para fora, diante do desespero geral dos seus admiradores (e dele mesmo).

E o pior: logo em seguida, o árbitro Rodolpho Del Bagno marca um pênalti contra o Inter, que os jornais denunciam como inexistente. "Grant matou a bola no peito, e não na mão", descreve o Correio do Povo. Pasqualito, um grande centroavante, não quis nem saber: foi lá, deu um chutão, gol do Bagé, 1 a 1.

O Inter havia entrado para aquela partida com um sério desfalque: sem Gilberto, um dos seus principais zagueiros, machucado. Em seu lugar estava Reinaldo Meneghetti, antigo titular do time, mas que já havia parado de jogar há muito tempo. Meneghetti voltava apenas numa emergência, portanto - a torcida estava com medo.

Mas quando se viu, nos momentos mais difíceis da partida - especialmente depois que Pasqulito empatou para o Bagé - foi Meneghetti quem salvou o time, com arrojo e determinação. E o Inter conseguiu afinal festejar a conquista do seu primeiro título de campeão gaúcho, naquele dia 7 de setembro de 1927. Porque, no final, veio a vitória de 3 a 1, o segundo gol marcado por Nenê depois de um drible de Miro sobre Chatinho e o cruzamento, e o terceiro novamente de Barros recebendo passe de Miro.

Texto reproduzido na Revista Beira-Rio 25 anos


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