19/12/2006

A EUFORIA DOS CAMPEÕES

Por Rodney Silva
Fotos: Jefferson Bernardes/VIPCOMM

A emoção dos dirigentes

O presidente Fernando Carvalho era o retrato da emoção pura que cada colorado sentiu nesta terça-feira, no retorno dos campeões do mundo a Porto Alegre. Agarrado numa bandeira do Internacional, Carvalho revelou a emoção que a delegação sentiu ainda no Japão, logo depois da conquista do Mundial Fifa, ao ver pela televisão a festa dos colorados na capital: ?A todo momento nos emocionávamos ao ver as ruas tomadas pela torcida no domingo. Estávamos loucos para nos encontrarmos com os colorados no Beira-Rio?, contou. Já em solo gaúcho, o presidente vibrou com a recepção gigantesca feita pela torcida: ?Como torcedor, estou muito alegre. A ficha só caiu aqui, ao chegar em Porto Alegre e ver o tamanho dessa festa?, comemorou.


Fernando Carvalho contempla o pôster do Inter, campeão do Mundial Fifa

O vice-presidente de futebol e futuro presidente, Vitório Piffero, estava com os olhos marejados de emoção. ?Como todo colorado, esperei muito por este momento. E quando ele chega, temos que curtir. Vamos seguir o trabalho do presidente Carvalho, pois a receita do sucesso está nas nossas conquistas e nas vitórias que alcançamos. A maioria dos jogadores do grupo está com os contatos renovados para os próximos anos. Temos plenas chances de voltar ao Japão?, projetou o dirigente.

O guerreiro Edinho

Sem camisa e muito emocionado, o volante Edinho mostrou toda a sua felicidade ao chegar ao Beira-Rio e ser ovacionado pela torcida aos gritos de ?Edinhoooooo, guerreiroooooo?. ?É difícil definir com palavras, pois é um momento especial na minha vida. Espero cada vez mais dar alegrias para esta torcida maravilhosa. Esse titulo é para a massa que nos apoiou em todos os jogos no Brasileirão, na Libertadores. Agora só posso agradecer por essa recepção calorosa?, resumiu o volante.

Eller elogia a torcida


Fabiano Eller ficou impressionado com a demonstração de amor dos colorados

Ao som da música ?Tema da Vitória? - que embalava as conquistas do piloto Ayrton Senna na Fórmula 1 - e que foi reproduiza no sistema de som do Beira-Rio durante a recepção dos campeões,  o zagueiro Fabiano Eller analisou a postura dos colorados. ?Nunca tinha visto uma coisa dessas antes. Um clube lotar o estádio sem ao menos ter jogo é sensacional. Esta torcida vibrante merece. Tiveram confiança no grupo de jogadores e vibraram muito a cada momento desta temporada?, elogiou.

A tranqüilidade de Ceará


Ceará anulou Ronaldinho Gaúcho na final

A euforia do torcedor colorado vai ficar guardada na memória do lateral Ceará. ?Quando vencemos a Libertadores, não pudemos ver tão de perto a euforia do torcedor pelas ruas da cidade, mas agora foi algo mágico e impressionante?. A marcação que Ceará fez com tranqüilidade em cima de Ronadinho Gaúcho pode ser atribuída à sua força e técnica, mas também à sua fé. Fora de campo, Ceará é um guia espiritual para a equipe. O jogador é evangélico e costuma coordenar as orações dos atletas do grupo antes e após as partidas. ?Quando fui marcar o Ronaldinho, sabia que ele era um homem igual a qualquer outro. Não era um monstro. Sabia que, se conseguisse fechar seus espaços, acabaria transformando ele em um jogador comum?, contou.

O herói da final

O jogador mais assediado desde Canoas, passando pelas ruas da capital gaúcha até os festejos no Beira-Rio, foi Adriano. Autor do gol do título, o meia colorado entrou para a história do clube. No desembarque em Canoas, jogador foi muito requisitado pela imprensa. No trajeto da carreata, foi o mais ovacionado pela torcida colorada. Cartazes, gritos e acenos eram direcionados ao herói da final. ?Todos do grupo são responsáveis por esse Mundial. A torcida tem que comemorar intensamente, pois foi muito especial a maneira como nos consagramos no Japão?, avaliou Adriano.


Adriano acaba a temporada 2006 em alta

O técnico Abel Braga sempre apostou no bom futebol do jogador, mesmo diante das críticas de parte da torcida e da imprensa. Abel mostrou que estava certo. A timidez de Adriano, sempre comentada pelo treinador, o impedia de maiores exaltações diante da festa colorada. ?Ele é menino muito tímido e retraído. Até para conversar com ele sobre eventuais erros tem que ser com jeito. Mas sempre confiei no seu potencial?, contou Abel Braga.

As revelações

Foram apenas três jogos que consagraram o atacante Alexandre Pato como um dos novos ídolos colorados. Nas ruas, o garoto de 17 anos era um dos mais festejados. No Beira-Rio, o jovem talento vibrou muito junto à torcida e prometeu: ?Quero conquistar todos os títulos que disputar pelo Inter. O meu objetivo é dar alegria para os colorados?, afirmou.


Alexandre Pato: o futuro promete!

Colorado nascido no bairro Bom Jesus, um dos mais pobres de Porto Alegre, o atacante Luiz Adriano retribuía com sorrisos e gestos o carinho que recebeu da torcida. ?Vim muitas vezes no Beira-Rio quando era pequeno. Gritava das arquibancadas para o time no campo. Hoje estou aqui, comemorando esse titulo, dentro desse estádio e com essa imensa torcida?. Ao lado de Alexandre Pato, companheiro desde a época das categorias de base do Inter, Luiz Adriano ergueu a taça do Mundial da Fifa para delírio da torcida, que gritava seu nome e o de Pato. Os colorados lembraram que o jogador foi decisivo na conquista do mundo com o gol que marcou contra o Al-Ahly, na semifinal da competição. ?Meus companheiros me deram muita tranqüilidade, e isso foi importante para eu entrar firme e poder consolidar o Inter na final do Mundial?, avaliou Luiz Adriano.

O reconhecimento de Vargas

O colombiano Vargas chagou ao Inter no segundo semestre deste ano. Vindo do Boca Juniors, o volante certamente pensava que a torcida argentina era a mais apaixonada de todas. Mas a torcida do Inter o surpreendeu. ?Chegar no estádio assim é incrível. Nunca havia visto nada igual, nem nos tempos de Boca. Dedicamos corpo, alma e coração por esse título?, afirmou. 

A superação de Índio

Símbolo de superação no Mundial, o zagueiro Índio jogou parte da final com o nariz quebrado, depois de um choque acidental com Edinho. ?Naquele momento que quebrei o nariz, senti muita dor, mas jamais sairía de campo. Somente uma perna quebrada me tiraria da final. Agora, chegando aqui e vendo a torcida comemorando, penso que a dor foi pequena perto da grandeza e da felicidade que estou sentindo?, ponderou.


Índio (E) foi o símbolo da superação colorada contra o Barcelona

A delegação colorada desembarcou em Canoas com os semblantes cansados em decorrência das mais de 40 horas de viagem do Japão ao Brasil. Mas ao longo da jornada até o Beira-Rio, o cansaço desapareceu. O sentimento foi apenas de felicidade, emoção e agradecimento. ?Chegamos cansados no Brasil, mas quando começamos a carreata em Porto Alegre, o cansaço sumiu e uma grande euforia tomou conta de nós?, disse Índio. 

A premonição de Iarley


Iarley foi premiado com a 'Bola de Prata' pela Fifa

Certa vez, no vestiário do Beira-Rio, após a conquista da Libertadores, um painel gigante foi colocado no local em alusão ao titulo da América. Naquele momento, o atacante Iarley entrou no vestiário e gritou: ?Esse tá bonito, mas vamos colocar outro no lugar, ainda maior e escrito ?Campeão do Mundo?. O atacante estava prevendo algo que se concretizaria meses depois. ?A melhor sensação que existe é a de ser recebido por esta apaixonada torcida. Todo jogador sonha com esse momento. Conquistar um título dessa grandeza para um clube com tanta história que nem o Inter é sensacional?, comemorou Iarley, um dos destaques na final contra o Barcelona.


Outras notícias
Loja Virtual