16/11/2016

Charuto: o folclórico torcedor dos Eucaliptos anos 30 e 40

Para um clube da dimensão do Internacional, que ostenta uma torcida tão grande, é difícil selecionar pessoas que representem a diversidade e o amor ao clube. Mas de vez em quando, alguém salta aos olhos e se torna símbolo. Uma delas é Charuto, o homenageado do Museu do Inter na segunda semana em alusão ao Mês da Consciência Negra.

Charuto muitas vezes adormecia nos jogos do Inter por conta da sua embriaguez

Pouco se sabe sobre este ilustre torcedor que frequentou o Estádio dos Eucaliptos entre as décadas de 1930 e 1940, muito menos a sua idade, mas como a maioria da comunidade negra daquela época, tinha poucas condições financeiras, sobrevivendo a base de ‘bicos’ nas docas do Cais do Porto. A única certeza em sua vida é que estaria nos Eucaliptos em dia de jogo do “cororado”. Sem dinheiro para comprar o ingresso, os torcedores costumavam pagar sua entrada, pois faziam questão de o ver sentado nas arquibancadas.

Muitas vezes, os próprios seguranças o deixavam passar, mas quando nada disso acontecia, utilizava da própria malandragem para conseguir acessar o estádio. Charuto chegava sempre alcoolizado e fazia questão de não assistir à partida, ficando o tempo todo de costas para o gramado, isso quando não acabava dormindo no meio do jogo devido a seu estado.

Após se envolver em uma briga nas proximidades do Mercado Público, foi atingido por uma facada e acabou falecendo no dia 4 de dezembro de 1952, três dias antes do Gre-Nal que o Inter venceria por 5 a 1, de certa forma em homenagem a esse mito que mostra a aceitação histórica à diversidade e que faz com que o Internacional seja sempre lembrado como o Clube do Povo.

Leonardo Dutra
Museu do Inter


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