09/11/2016

Dia da Consciência Negra: Dirceu Alves, um precursor na década de 20


Dirceu Alves foi um pioneiro no Rio Grande do Sul

Dos diversos ídolos negros que já vestiram a camisa colorada ao longo desses 107 anos, um se destaca por ter sido o precursor, Dirceu Alves. E é com ele que o Museu do Inter começa sua série de homenagens a personagens históricos e não tão conhecidos do Sport Club Internacional, em alusão ao Mês da Consciência Negra.

Antes de saber a história desse jogador, é preciso situar o contexto histórico. O futebol porto-alegrense da década de 1920 era dividido em três grandes ligas: em primeiro a “Liga do Sabonete”, que era disputada apenas por equipes da elite. Daí vem a referência ao sabonete, que era um artigo de luxo à época. Logo depois vinha a “Liga do Sabão”, criada por pessoas de classe média, geralmente membros do baixo comércio e pessoas de etnias minoritárias. Em último lugar na classe social, se encontrava a “Liga dos Canelas Pretas”, forma pejorativa na qual era chamada a Liga de Futebol Porto-Alegrense, pois era a única organização futebolística que aceitava descendentes africanos.

É nesse contexto que Dirceu Alves inicia sua carreira futebolística. Após fazer muito sucesso como meia-direita nesta liga, o Internacional, que iniciava seu processo de profissionalização, se encantou com sua velocidade e facilidade em fazer gols. Alves seria contratado oficialmente pelo Internacional em 1925, mas realizou sua estreia apenas no segundo semestre de 1928. Sua carreira no clube não teve tanto sucesso, mas deu início a uma série de contratações de jogadores da “Liga dos Canelas Pretas” que culminou em um dos mais vitoriosos elencos da história do Internacional, o Rolo Compressor. Dirceu Alves veio a falecer no ano de 1952, devido a complicações no fígado, mas o legado de seu pioneirismo existe até hoje, em cada jogador negro que veste a camisa colorada.

Leonardo Dutra
Museu do Inter


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