05/09/2016

Danilo: 'Cheguei ao maior e aqui quero ficar'

Foi uma contratação cirúrgica. Antes de assinar por quatro temporadas com o goleiro Danilo Fernandes, o Internacional monitorou por quase um ano o seu desempenho no Sport-PE e teve a convicção de que ele se encaixava perfeitamente nas pretensões coloradas. A responsabilidade em assumir a titularidade de forma imediata era grande, afinal, o antecessor Alisson Becker tinha o status de ídolo, mas com seu jeitão tranquilo, Danilo teve rápido entrosamento com os companheiros, além de mostrar muita eficiência em campo desde a sua estreia com a camisa 1.

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Aos 28 anos, é um goleiro experiente que, no entanto, defendeu apenas dois clubes na carreira. Revelado pelas categorias de base do Corinthians, profissionalizou-se em 2009, ficando na condição de suplente na maior parte do tempo. Mesmo assim, participou da época mais vitoriosa do time paulista, sendo campeão mundial, em 2012. No começo do ano passado, transferiu-se para o Sport-PE, atuou em quase 70 partidas e foi um dos destaques da posição no Brasileirão. Atento, o Inter passou a investir na sua contratação, tendo em vista a iminente ida de Alisson para o Roma. E tudo se encaixou, pois Danilo também ambicionava um novo desafio em um time de ponta. O Beira-Rio virou o seu destino. Confira a entrevista exclusiva publicada na edição nº 118 da Revista do Inter:

Revista do Inter: Desde que você chegou ao Beira-Rio, pareceu muito integrado ao grupo. Foi fácil a adaptação? Procurou informar-se sobre o Inter antes, conversar com alguém?

DANILO: Fui bem recebido desde o início. Todo mundo brincou comigo, me chamando de ‘terrorista’, por causa da minha barba (risos). Foi bom para quebrar o gelo. Estou muito bem adaptado. Eu já conhecia o Alex, da base do Corinthians, e ele falou muito bem do Clube. Só disse que eu ia passar frio em Porto Alegre (risos). Brincadeiras à parte, ele disse que era um excelente time, com grande estrutura.

Revista do Inter: Ter sido escolhido 'a dedo' pelo Inter o deixou lisonjeado?

DANILO: Sim, claro! O Brasil está em um momento muito bom de goleiros, tanto jogando aqui como fora do país. O fato de você ser o primeiro nome pensado para substituir um goleiro de Seleção é muito bom. Como eu vinha trabalhando bastante, com ritmo de jogo, cheguei aqui em alto nível e em condições de corresponder à altura esta confiança que depositaram em mim. Fiquei muito feliz pelo interesse e não pensei duas vezes em aceitar.

Revista do Inter: O fato de ter substituído o Magrão, que era ídolo no Sport, de alguma maneira te deu mais segurança para ser o sucessor do Alisson?

DANILO: Foi uma situação mais ou menos parecida. O Magrão saiu por causa de uma lesão, no segundo jogo do Brasileirão do ano passado. Foi uma infelicidade dele. Eu jamais torci contra um companheiro, mas é claro que estava querendo uma oportunidade, para ter uma sequência grande em um campeonato tão difícil. Agarrei-a da melhor maneira possível e fui mantido no time mesmo quando o Magrão voltou da lesão, porque eu estava fazendo um bom trabalho dentro de campo. Claro que chegar aqui no Inter e substituir o Alisson, goleiro da Seleção Brasileira, formado no Clube e capitão do time, é uma responsabilidade também muito grande. Mas tenho a confiança de todos para jogar aqui. Desde o primeiro jogo entrei tranquilo.

Revista do Inter: Como está sendo o dia a dia de trabalho com o preparador Daniel Pavan e com os companheiros de posição?

DANILO: Vir para uma equipe gigante que nem o Inter, com profissionais super qualificados e companheiros de posição de alto nível, faz com que você treine ainda mais. O nível de competitividade aumenta nos treinos e o Inter só te a ganhar com isso. Você fica estimulado até mesmo para perseguir o sonho de chegar à Seleção.

Revista do Inter: No Corinthians, você conquistou vários títulos nacionais e internacionais, porém sem atuar constantemente. É diferente agora poder conquistá-los sendo peça fundamental na equipe?

DANILO: No Corinthians, conquistei todos os títulos possíveis (veja ficha técnica). No Paulista de 2013, eu joguei 60% dos jogos, então tenho um carinho especial por esta participação. Mas agora estou atuando como titular de uma equipe que tem todas as chances de brigar por todos os títulos. Sinto-me mais valorizado por ter a oportunidade de jogar entre os titulares. Quero conquistar muitas taças com esta camisa do Inter, pois é assim que um jogador entra para a história.

Revista do Inter: Quais são suas principais virtudes técnicas?

DANILO: É difícil você se autoavaliar. Pelo menos eu não tenho a vaidade em dizer que sou bom nisso ou naquilo. O goleiro tem que ser regular e passar segurança, então o fato de eu ser tranquilo dentro de campo é uma das minhas principais virtudes. O time começa pelo goleiro, então todo mundo vendo que ele está confiante, ajuda no jogo. Agora, tecnicamente, eu deixo para o pessoal comentar.

Revista do Inter: O futebol moderno exige que o goleiro também saiba jogar bem com os pés. O que você acha disso?

DANILO: Saber jogar bem com os pés é uma cobrança que surgiu depois da Copa do Mundo de 2014, principalmente quando o Neuer (goleiro da Seleção da Alemanha e do Bayern de Munique) fez aquelas ‘loucuras’ lá atrás. Claro que aquilo tem que ser muito bem treinado, requer tempo. É preciso ter paciência para acreditar no trabalho, pois até o Neuer errou no começo. Tudo tem um risco, então tem que ter um limite de segurança para fazer isso. Agora os times estão saindo jogando mais de trás. Acabou aquele bicão para frente. Mas todos têm que ajudar, não basta tocar a bola no goleiro e esperar que ele arme tudo. Quando é bem treinado, tem tudo para dar certo na hora do jogo.

Revista do Inter: O que você sabe da história do Internacional?

DANILO: Quando eu estava no Corinthians, em 2005, teve uma rivalidade muito grande entre os dois times. Sempre soube que o Inter é um time que conquistou tudo. Tem uma torcida apaixonante. É o Clube do Povo. Grandes goleiros também passaram por aqui. É uma tradição. Então, por eu vir de fora, é uma responsabilidade maior que carrego.
O Inter tem uma história bonita que pode ser repetida, pois está muito bem estruturado. Admiro a trajetória do Fernandão, do D’Alessandro e do Alex, com quem jogo junto hoje. Tem também o Clemer, o Taffarel e, claro, o Alisson como grandes referências. O Falcão, apesar de não ter visto jogar, é outro nome de peso. É um clube com uma história repleta de ídolos.

Revista do Inter: No Instagram, você postou uma foto tomando chimarrão. Está adaptado à cultura gaúcha?

DANILO: Eu como churrasco, mas não faço (risos). Lá em São Paulo a gente faz na grelha, mas aqui o pessoal brinca que isso é coisa de paulista. A gente faz churrasco lá para durar o dia todo, enquanto aqui o pessoal senta-se à mesa e come tudo. Já provei chimarrão. É muito quente e amargo. Mas nesse frio tem que tomar para dar uma esquentada. Com o tempo, vou ver se faço em casa para tomar com meu filho e a minha esposa.

Revista do Inter: Qual goleiro te inspira?

DANILO: Cheguei ao Corinthians em 1996 e, em 1998, eu via os treinos do Dida (ex-Inter e Seleção Brasileira) no Parque São Jorge. Saía do meu treino e ficava vendo o dele. É um cara que me inspirou bastante, principalmente pela tranquilidade que ele passa. Nunca fui um goleiro espalhafatoso, de querer aparecer, pois goleiro tem que ser simples e objetivo. Outro que eu também gosto bastante é do Marcos (ex-Palmeiras e Seleção), porque ele sofreu com lesões na carreira e sempre buscou a superação. Eu tive uma muito parecida no punho. Passei muito tempo na base treinando com uma mão só, porque eu tinha muita dor, e o Marcos foi um cara que me inspirou bastante pela história.

Revista do Inter: Quando decidiu ser goleiro?

DANILO: Comecei numa escolhinha de Guarulhos-SP e ninguém queria ser goleiro. Então o treinador a cada dia colocava um diferente no gol. Quando me escalou a primeira vez, acabou dizendo que, a partir de então, eu seria o goleiro titular. Até hoje não sei se ele me deixou no gol porque eu era ruim na linha ou bom no gol. Mas agradeço a ele por isso, pois se fosse atacante, talvez não estivesse aqui.

Revista do Inter: Tem algum ritual/superstição pré-jogo?

DANILO: Eu sempre aparo a barba antes do jogo, por incrível que pareça (risos). Sempre começo pelo pé direto. Meia e chuteira, primeiro no pé direito, depois a luva, também pela mão direita. Quando a gente perde um jogo, sempre acho que fiz algo errado antes, que coloquei primeiro a chuteira no pé esquerdo.

Revista do Inter: Qual foi a defesa inesquecível até hoje?

DANILO: Jogava pelo Sport-PE quando ganhamos do Palmeiras por 2 a0. No primeiro chute, a bola desviou na zaga, eu estava indo para um lado e a bola foi para outro, mas me estiquei e defendi. No rebote, o atacante chutou a menos de 2 metros de mim e consegui reagir rapidamente e colocar a mão na bola que até hoje não entendo como defendi. Depois a bola ainda bateu no travessão e foi para fora.

Revista do Inter: O que gosta de fazer nas horas vagas?

DANILO: Meu filho não me deixa fazer nada. Ele me vê e nem acredita que estou em casa. Faz uma festa. Ele tem 1 ano e meio e quer jogar futebol, correr pela sala. Aproveito os momentos que estamos de folga para ficar em casa com minha esposa e meu filho. Às vezes, também saio para jantar com a minha esposa, mas sou bem tranquilo.

Revista do Inter: Qual a trilha sonora que te acompanha?

DANILO: Gosto de pagode e sertanejo. Mas o que o pessoal quiser ouvir, eu ouço também.

Revista do Inter: Nestes sete anos como profissional, qual avaliação faz da sua carreira?

DANILO: Amadureci bastante, estou feliz com o momento que estou passando, mas não estou satisfeito. Quero títulos grandes na minha carreira. Esta camiseta é muito grande. Quero conquistar muitas coisas aqui para poder dar alegrias ao torcedor, a esse clube tão grandioso e vitorioso. Espero pôr meu nome na história do Clube e, quando meu filho crescer, ele ver a foto do pai dele campeão com a camisa do Inter. Era um sonho poder jogar num clube tão grande como o Inter. Não tenho motivo para sair daqui, porque não tem time maior para poder jogar. Já cheguei ao maior e é aqui que quero ficar por muitos anos.

Revista do Inter: Desde que chegou ao Inter, o pessoal te chamou de vários apelidos. Tem algum especial? E essa barba: é para assustar os adversários?

DANILO: Deixei a barba crescer, pois tinha preguiça de tirar. Foi crescendo e fui ficando com essa cara de terrorista. Tem uma amiga da família que, antes mesmo de a barba crescer, já dizia que eu tinha cara de muçulmano. Depois que deixei a barba ficar grande, ela começou a dizer que eu estava igual a um muçulmano. Aqui no Inter, o Vitinho me vê e começa a cantar a música de homem-bomba. Também ficam me chamando de Bin Laden, mas nunca tive um apelido oficial.

Ficha Técnica
Nome: Danilo Fernandes Batista
Data de nascimento: 3 de abril de 1988
Local: Guarulhos-SP
Estatura: 1,88m

Trajetória

Corinthians (2009-2014)
Sport-PE (2015-2016)

Títulos

Campeonato Paulista (2009 e 2013)
Copa do Brasil (2009)
Campeonato Brasileiro (2011)
Copa Libertadores da América (2012)
Mundial (2012)
Recopa Sul-Americana (2013)


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