15/03/2016

Há 85 anos na História: a inauguração do Estádio dos Eucaliptos

Abigail, Alfeu, Assis, Ávila, Bodinho, Bráulio, Carlitos, Claudiomiro, Dorinho, Florindo, Gainete, Ivo Winck, Larry, Luisinho, Milton Vergara, Nena, Oreco, Russinho, Sadi, Salvador, Scala, Tesourinha, Tovar, Valdomiro e Villalba. O que esta seleção de craques colorados tem em comum? O Estádio dos Eucaliptos, a primeira casa própria do torcedor alvirrubro, viu todos estes grandes jogadores desfilarem seu talento em seu gramado. Viu defesas fantásticas de Ivo, Vergara e Gainete; viu atacantes à míngua devido à fortaleza defensiva composta por jogadores como Alfeu, Florindo, Nena e Scala; viu ainda jogadas mágicas de Assis, Ávila, Salvador, Dorinho e Tovar; e, claro, também viu gols antológicos saindo dos pés de Bráulio, Carlitos, Larry, Luisinho, Tesourinha e Valdomiro. Porém, toda essa história começou ainda no final dos anos 20.

A Chácara dos Eucaliptos, campo alugado onde o Sport Club Internacional mandava seus jogos e fazia suas reuniões sociais, foi posta à venda no ano de 1928. O Clube, apesar da prioridade para compra, acabou não exercendo seu direito e teve de procurar um novo lugar. A árdua tarefa foi capitaneada pelo seu presidente (e depois Patrono) entre 1930 e 1934, Ildo Meneghetti. Ildo acompanhava o Inter desde 1912 mesmo distanciando-se de Porto Alegre e do Clube após a conclusão de seus estudos, para onde retornou em 1929 convencido a concorrer à presidência. Eleito, foi o responsável por encontrar e comprar a área onde acabou construído e inaugurado, em 15 de março de 1931, o Estádio dos Eucaliptos, assim nomeado em decorrência do plantio de mudas da árvore trazidas da antiga sede; o estádio ainda seria nomeado mais tarde, oficialmente, como Estádio Ildo Meneghetti.

Na nova casa ocorreu o amadurecimento e consolidação regional do Clube. Durante os anos 1930, com a profissionalização do futebol que passava a ocorrer em todo o Brasil, o Inter passou a trazer jogadores oriundos da Liga da Canela Preta (que entrou em decadência em meados dos anos 1920). Estes, por sua vez, fizeram a diferença nos anos seguintes: começava a se formar uma das maiores equipes da história do Inter. O Rolo Compressor, único Hexacampeão Gaúcho até então, que contava com jogadores como Júlio (depois Ivo), Alfeu, Nena, Assis, Ávila, Abigail, Tesourinha, Russinho, Adãozinho e Carlitos, marcou época e foi o responsável por trazer para o lado vermelho a hegemonia em clássicos; desde 1945, ano do Hexa, o Inter não sabe o que é ter menos vitórias que o rival. Logo depois, nos anos 1950, surgiu o Rolinho, sucessor do Rolo Compressor na senda de vitórias que acompanha o Colorado. Milton Vergara, Florindo, Oreco, Paulinho, Salvador, Odorico, Luisinho, Larry, Bodinho, Carlitos e Canhotinho foram alguns dos craques do Rolinho tetracampeão gaúcho entre 1950 e 1953 – campeão mais uma vez em 1955 - que deram continuidade ao sucesso do Rolo Compressor dos anos 1940.


Eucaliptos - a primeira casa do Internacional - em dia de jogo

Na segunda metade da década de 1950, o Inter já era um clube reconhecido pela hegemonia regional: maior número de vitórias em clássicos, mais títulos que o rival. No entanto o Clube queria mais. Queria ter a maior praça esportiva do sul do país. Para isso, iniciou o processo de construção do Gigante da Beira-Rio. Os anos 1960 foram duros para o Colorado, que viu surgir um breve predomínio do rival. Mas o velho Eucaliptos ainda veria o surgimento de um dos maiores times da história do Inter e do Brasil na década seguinte. Gainete, Laurício, Scala, Pontes, Sadi, Carbone, Tovar, Valdomiro, Carpegiani, Bráulio, Claudiomiro e Gilson Pôrto deram início, ainda no Estádio dos Eucaliptos, à série de oito títulos gaúchos consecutivos, feito até hoje não igualado. Antes da inauguração do Beira-Rio, estes atletas tiveram a chance de desfilar suas belas jogadas no estádio onde o Inter fez história, para depois fazer a sua própria e tornar o Clube o maior do país com o tricampeonato Brasileiro.

O Estádio dos Eucaliptos reside hoje na memória de cada um dos torcedores colorados: outrora maior estádio do sul do país, sede de uma Copa do Mundo e palco das maiores vitórias do Rolo Compressor e do Rolinho. Mesmo não existindo mais fisicamente, é uma das páginas mais bonitas da história colorada. Se existir vida após a morte, a dos colorados com certeza é na sombra dos Eucaliptos.

Cesar Caramês – Setor de Pesquisa Histórica


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