25/04/2015

Dia do Goleiro: uma breve história sobre posição

26 de abril é o Dia do Goleiro

Pode-se dizer que o goleiro é a antítese do que representa o futebol como jogo. Sua função, diferente dos demais jogadores, não é de criar ou produzir algo em campo, mas parar a jogada ofensiva adversária, evitar o gol e a festa da torcida. Quase sempre é alvo da ira do público, seja do torcedor adversário, por operar um milagre embaixo das traves, seja do seu torcedor, por deixar aquela bola de fácil defesa passar. Além disso, é o único que tem permissão para usar as mãos para pegar a bola, fator que, juntamente com o seu traje, o diferencia dos demais jogadores. No início usava o preto, assim como o árbitro, e tal qual este, hoje usa as mais variadas cores. A figura do goleiro foi criada em 1871, como forma de atrair os indecisos entre a prática do futebol e do rúgbi, que neste momento criava sua federação própria. Totalmente ao contrário do rúgbi, o futebol não permitia nenhum tipo de contato com as mãos, contudo permitiu esta ação pela recém criada figura do goleiro, visando atrair adeptos para o esporte. Em seu surgimento não fazia uso de luvas, hábito que se tornou comum somente mais tarde.


Mesmo dotado deste viés quase trágico, o goleiro consegue ser personagem de ambivalência ímpar, na medida em que muitas vezes é celebrado como herói no panteão dos clubes por suas defesas e intervenções. E o panteão colorado, dentre muitos outros, conta com grandes goleiros: Ivo Winck, goleiro da lendária formação do Rolo Compressor dos anos 40; Milton Vergara, arqueiro do Rolinho, sucessor do Rolo Compressor nos anos 50; Manga, Bicampeão Brasileiro pelo Inter nos anos de 1975 e 1976, tendo sido considerado um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro; Benítez, goleiro da campanha do Tricampeonato Brasileiro Invicto em 1979; Taffarel, que defendeu a meta colorada em fins dos anos 80, tendo sido o goleiro do Gre-Nal do Século em 1989, e mais tarde, já jogando na Itália, Tetracampeão Mundial com a Seleção Brasileira em 1994, nos Estados Unidos; André Döring, goleiro da base colorada que teve grande destaque na segunda metade dos anos 90, chegando inclusive à Seleção Brasileira, e que segue no clube como auxiliar técnico; Clemer, goleiro que chegou ao Clube em 2002 e, após ajudar a livrar o clube do rebaixamento neste ano, conquistou todos os grandes títulos do clube até o centenário, em 2009, como goleiro e como preparador de goleiros em 2010: Pentacampeão Gaúcho, Campeão da Dubai Cup, Campeão da Copa Suruga Bank, Campeão da Recopa Sul Americana, BiCampeão da Copa Libertadores da América (2006 como goleiro e 2010 como preparador de goleiros) e Campeão do Mundo de Clubes; e Renan, goleiro colorado detentor do recorde de tempo sem sofrer gols em Campeonato Brasileiro com a camisa colorada: oito jogos consecutivos em 771 minutos.


O Dia do Goleiro foi instituído no Brasil exatamente no primeiro momento em que houve preparação de goleiros especializada: durante a Copa do Mundo de 1974, quando o Tenente Raul Carlesso fez parte da Comissão Técnica como Preparador. Juntamente com o Capitão Reginaldo Pontes Bielinski, o Tenente Raul Carlesso criou esta data em 1975. Contudo, ela foi introduzida no calendário nacional no dia 26 de abril de 1976 em homenagem ao lendário goleiro Aílton Corrêa Arruda, o Manga, em alusão ao seu aniversário.

Setor de Pesquisa Histórica
Cesar Caramês


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