10/02/2012

Museu do Inter comemora o Dia do Atleta Profissional

Dentro do mundo do futebol, antes do profissionalismo de fato, os clubes já praticavam o chamado “Profissionalismo Marrom” durante a década de 1920, que consistia em dar alguma remuneração ao jogador como forma de premiação, geralmente concedida depois das vitórias conquistadas. Esse tipo de premiação ocorria em todos os grandes centros futebolísticos do Brasil. Essa remuneração era chamada de “bicho”. Pois geralmente eram entregues animais como porcos, galinhas, cabras, para premiar o jogador, isso se deve ao fato de que as competições eram disputadas, obrigatoriamente, por atletas amadores, portanto havia restrições ao pagamento em dinheiro.

No ano de 1930, Getúlio Vargas subiu ao poder do país. O que se viu foi a formação de um Estado centralizador e autoritário, que prezava o desenvolvimento industrial como doutrina. Outra característica importante desse governo foi à busca de apoio dos trabalhadores, como forma de forjar uma poderosa aliança. Para isso foram estabelecidas uma série de medidas: o amplo controle nos meios de comunicações – rádio e imprensa –, a promoção de eventos cívicos, o nacionalismo e a valorização da ordem. A Constituição de 1934, que previa a criação da Justiça do Trabalho, foi um dos principais atos que atestam a atenção que Vargas dava aos trabalhadores. Em 1931, a profissão de “jogador de futebol” foi incluída entre as que deveriam ser regulamentadas. O Jogador de futebol passou também a ser um trabalhador. 

O amadorismo definhava na década de 1930. Em 1933 foram criadas ligas profissionais de futebol no Rio de Janeiro e em São Paulo, sendo as primeiras com o profissionalismo oficializado. A remuneração ao jogador deu a possibilidade de ascensão social aos pertencentes às camadas mais pobres da população, além da inserção dos negros em um espaço majoritariamente de brancos – os grandes clubes de futebol da cidade. O jogador profissional, por ser remunerado, tinha a vantagem de viver do futebol, ou seja, diferentemente do jogador amador – que praticava o jogo nas horas vagas –, o jogador profissional dependia do esporte, portanto deveria ser um especialista em jogar futebol, fazendo com que times de amadores não fossem mais páreos aos times de jogadores profissionais.

Sendo assim, a partir desse período, surgiram pelo Brasil grandes atletas provenientes das classes mais pobres da população. No Rio Grande do Sul, em 1939, foi formada no S.C. Internacional uma equipe de brancos e negros, que seria conhecida por ser quase imbatível. Recebeu o apelido de “Rolo Compressor” por praticamente “passar por cima” dos seus adversários com placares pra lá de elásticos. Nessa época, o Inter foi Hexacampeão Gaúcho nos anos de 1940-45 e novamente campeão nos anos de 1947 e 1948. Portanto, esses profissionais fizeram a alegria de muitos torcedores, estando presentes ainda hoje em nossas memórias. É a eles que o Museu do Inter dedica a sua homenagem.      

Leandro Fonseca
Equipe de Pesquisa do Museu do Inter


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