04/05/2005

ENTREVISTA COM ARTHUR DALLEGRAVE

"Jamais outro clube será campeão brasileiro invicto"

O atual 1º Vice-presidente eleito do Sport Club Internacional Arthur Dallegrave é uma das figuras mais tradicionais do Beira-Rio. São 54 anos de histórias e dedicação ao seu clube do coração. Na entrevista que você vai ler, Dallegrave fala um pouco sobre a sua trejetória no Inter e dos feitos únicos alcançados pelo time colorado.


P: Site do Inter ? O senhor tem quantos anos de trabalho dedicado ao Inter?
R: Arthur Dallegrave ? Entrei no Conselho Deliberativo do Inter em dezembro de 1950, através do então presidente eleito Dr. Ephraim Pinheiro Cabral. Ele foi ao meu escritório e me fez o convite. De lá pra cá são 54 anos vestindo esta gloriosa camisa vermelha que faz tremular toda a torcida colorada no Rio Grande do Sul.

P: SI ? Ocorreu de que forma a sua primeira tarefa no Clube?
R: AD ? Por incrível que pareça foi debaixo das gerais do Estádio dos Eucaliptos, no longínquo ano de 1951. Quando nós, com mais uma série de amigos, todos sócios e torcedores do Inter, na época em que o departamento de bolão do Internacional estava em evidência, fundamos um grupo deste esporte. Eu tinha um irmão mais velho que era conselheiro e tinha um grupo de bolão. As canchas eram embaixo das gerais dos Eucaliptos e nós nos agregamos ao departamento. Nos intitulamos grupo de bolão Picaretas, porque na realidade nós queríamos jogar um pouquinho de bolão, mas o que desejávamos mesmo era fazer um churrasquinho amigo e derrubar algumas garrafas de cerveja para passar a segunda-feira.

P: SI ? Como foi o futebol colorado nos anos 50, época que inclui-se a goleada do Inter de 6 a 2 sobre o Grêmio na inauguração do Estádio Olímpico?
R: AD ? Nós que sempre acabamos concentrados aqui, trabalhando em prol do Internacional, passamos por diversos departamentos e tivemos, então, a felicidade de assistirmos vitórias memoráveis do Clube. Sendo que uma que realmente marcou em nossos espíritos e nossos corações, naquela época, foi na inauguração do estádio do maior rival. Numa partida sensacional acabamos infringindo uma goleada espetacular de 6 a 2 com uma atuação magnífica sob todos os aspectos de nosso centroavante Larry Pinto de Faria que anotou quatro dos seis gols que o Inter fez contra o Grêmio. Larry fazia uma dupla infernal com Bodinho. Isto foi em 1954, ano em que o Renner foi campeão gaúcho. Já em 55, o Inter se rearmou, montou uma grande equipe e conquistou novamente o Rio Grande. No ano de 56, o Internacional contribuiu com a maioria dos atletas campeões do Pan-Americano no México. Em 2006, comemoramos o cinqüentenário desta grande conquista.

P: SI ? E a década de 60 do Internacional, período de construção do Beira-Rio?
R:

AD ? Durante alguns anos o Inter não foi muito feliz no futebol desta época, porque se propôs a construir também o seu estádio. Assim a massa vermelha foi à luta. Evidentemente a arrecadação do Internacional teve uma queda muito grande, já que estávamos investindo no patrimônio gigante a ser levantado e sobrava menos para o futebol. Mas depois de bastante esforço, chegamos no ano de 69 e inauguramos a nossa nova casa. O portentoso Gigante da Beira-Rio deu um banho naquilo que havia sido inaugurado em 1954. A partir daí, o Internacional tinha arrecadações, entusiasmo do seu torcedor, que anteriormente contribuiu muito trazendo tijolinhos, carroças com sacos de cimento, pedaços de ferro, o que podia ajudar para construir o estádio do seu time do coração. Desde então sucedeu-se oito títulos regionais, de 69 a 76, recorde. Eu era vice-presidente de futebol e o presidente era Frederico Arnaldo Ballvé. Ainda fomos bicampeões do Brasil, em 75 e 76, e mais tarde, em 79, conquistamos o brasileiro de forma invicta, que ouso dizer que jamais outro Clube do país conquistará campeonato de tal forma.


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