25/12/2010

Novo comando no futebol colorado

Na tarde quente da última quinta-feira, Roberto Siegmann (foto) esteve reunido com diretores, jogadores e membros da comissão técnica do Inter B no vestiário do Beira-Rio. Com vigor, o futuro vice-presidente de futebol cobrou empenho dos atletas na temporada que está por começar, ressaltando o tamanho da responsabilidade que é vestir a camisa do Campeão de Tudo. Pediu dedicação máxima já no primeiro desafio do ano, o Gauchão. 

A partir de agora, Siegmann está à frente do vestiário colorado, pronto para ajudar o grupo de jogadores a perseguir os títulos em 2011. Confira abaixo uma entrevista exclusiva na qual o dirigente fala sobre seus objetivos e estilo de trabalho que pretende aplicar no comando do departamento de futebol.

O que você tem a dizer sobre a renovação com o técnico Celso Roth?

A chegada do Roth possibilitou a conquista do bicampeonato da Libertadores. Testemunhei o quanto ele trabalhou, treinando em dois turnos, inclusive. Pude ver o quanto ele exige que os atletas se aperfeiçoem. A Libertadores começa já em fevereiro para nós, e uma eventual troca de técnico acabaria sendo perigosa neste momento. Roth é trabalhador, tem o “vestiário na mão” e conhece muito bem o grupo. Tenho excelente relacionamento com todos os componentes da comissão técnica. Confio na realização de um bom trabalho.

E a pressão do torcedor? Muitos não teriam gostado da renovação.

Entendo muito bem o sentimento do nosso torcedor. Por mais que o Inter tenha sido o maior vencedor em 2010, pelo título da Libertadores que conquistamos, houve uma frustração por parte da torcida com o desempenho na parte final do Brasileirão e no Mundial. Embora eu compreenda, um dirigente trabalha com dois elementos: a razão e a emoção. Eu confio no trabalho do Celso Roth e aproveito para pedir um voto de confiança da torcida, pela tradição vitoriosa do nosso futebol.

Qual foi o seu sentimento pela participação no Mundial?

Não foi diferente dos demais torcedores, dirigentes, treinador e atletas. Todos ficaram muito abatidos pela derrota inesperada contra o Mazembe. Mas há algo que não pode ser desprezado: o Inter estava entre os melhores de cada continente. Só se disputa esta competição quem está no topo do futebol mundial. Para perder um título, é necessário disputá-lo, privilégio de poucos.

O que você achou de positivo nesta jornada nos Emirados Árabes?

Sem dúvida, a participação do torcedor colorado. Temos a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. Mais de 7 mil torcedores estiveram em Abu Dhabi, algo jamais visto em uma competição de Clubes da FIFA. Embora frustrados com o resultado da estreia, os torcedores foram grandiosos e generosos, apoiando o time de forma incondicional na decisão do terceiro lugar.

Qual a explicação para o fato dos jogadores não terem saudado a torcida ao entrarem em campo na partida de estreia?

A FIFA institui regras muito rígidas na organização deste tipo de competição. Para não sofrer prejuízos, observamos rigorosamente o protocolo, o qual não permitia saudação naquele momento de entrada em campo. Hoje, lamento que o protocolo não tenha sido quebrado. No segundo jogo, prontamente nossos atletas saudaram a torcida de forma intensa.

Quais os planos do Inter para 2011?

Primeiro o de participar com muita disposição e ambição do Gauchão com a equipe B, para que seja mantida a contabilidade de clube mais vencedor de estaduais e do clássico Gre-Nal. Já falei com os atletas do Inter B e vejo neles muita disposição e competência. Na sequência, vamos lutar de forma obsessiva para que o título da Libertadores permaneça em nossas mãos. Não há dúvida de que o Inter precisa também conquistar o título nacional. Nos últimos anos já fomos três vezes vice-campeões e estamos sempre entre os primeiros.

O time terá reforços para esta nova temporada?

Temos um grupo muito qualificado. A convicção de colocarmos o Inter B para disputar o Gauchão permitirá a afirmação de muitos atletas, especialmente os das categorias de base. Precisamos de poucos e pontuais reforços. Estou trabalhando nisso. Também estou procurando otimizar a folha do futebol, com eventuais saídas de jogadores que não vinham sendo aproveitados. Em síntese, quero formar um time competitivo e aguerrido.

Qual a principal característica que você aprecia em um jogador?

Todas as características técnicas e físicas são fundamentais, mas a que entendo como mais relevante em um atleta é a capacidade de não se acomodar. É preciso ter ambição na carreira, e não se abater em campo com um eventual resultado negativo, mostrando capacidade de reação. Gosto de jogador sanguíneo.

Como será a convivência com o ex-presidente Fernando Carvalho, já que ele é uma referência no vestiário colorado?

Será completamente normal. Somos amigos há mais de 20 anos. O Fernando Carvalho tem algumas características diferentes das minhas. De qualquer forma, procuro sempre ouvi-lo e considerá-lo como um dos dirigentes que mais conhecem o futebol. Apenas aos amigos é possível a convivência sem a disputa de vaidades. Superaremos com facilidade eventuais pontos de vista distintos. O Fernando, querendo ou não, sempre me assessoraria, pois jamais dispensaria a sua opinião sobre alguma coisa relativa ao vestiário. É preciso também destacar que, durante todo este ano, desde a pré-temporada em Bento Gonçalves, fui muito atento a sua postura.

Quais serão suas primeiras medidas como comandante no departamento de futebol?

Serão as de atender às diretrizes traçadas pelo presidente Giovanni Luigi, que buscará administrar o Clube com equilíbrio e eficácia. O departamento de futebol do Inter, com naturalidade, precisa se organizar de uma maneira melhor.

Com quais nomes você contará para administrar o futebol?

Até agora, no futebol profissional, irei contar com o Cuca Lima e o Silvio Silveira, além de um novo integrante, o senhor Emílio Papaleo Zin. É claro que a estrutura do departamento também passa pelo papel do diretor executivo Newton Drummond e do coordenador de logística Adriano Loss. No Inter B e nas categorias de base, terei ao meu lado três pessoas que considero essenciais: Alexandre Chaves Barcellos, Roberto Melo e Orestes Portolan, além dos profissionais Bernardo Stein, Jorge Andrade, Jorge Macedo, Ademir Calovi, entre outros.

Sua relação com alguns setores da imprensa foi, por vezes, polêmica. Como será agora, no comando do futebol?

Embora polêmica, a minha relação com a imprensa sempre foi respeitosa. Sei o quanto ela é importante para a democracia. Parto do pressuposto de que a imprensa tem a função de informar a população, neste caso um vasto universo de torcedores. Para tanto, ela opina. Sempre entendi que esse é um caminho no qual deve ser assegurada a liberdade de manifestação ao entrevistado ou a quem é o objeto das opiniões. Sei muito bem que a minha função mudou, já que, até então, eu atuava como uma espécie de porta-voz do Clube. Sempre tratei de posicionar o Inter frente à opinião pública e, ao mesmo tempo, não acarretei nenhum tipo de desgaste com os demais dirigentes. Mas isso também mudou e, modéstia parte, sou suficientemente inteligente para compreender que agora não há espaço para isso, já que outros deverão ter esta tarefa. De modo geral, tenho excelentes relações com os profissionais e as direções de seus diferentes veículos de comunicação. Como em qualquer relacionamento, este também deve ser pautado dentro dos limites da ética e da verdade. Da minha parte será assim.

Como você irá conciliar a vida profissional com as atividades no Inter?

Não vejo problema algum, pois há oito anos venho exercendo intensas atividades na vida política e administrativa do Clube. A minha vida profissional é pública, e não pretendo prejudicá-la em nenhum aspecto. Sempre fui extremamente ativo. Costumo realizar várias atividades ao mesmo tempo. Essa é uma característica e necessidade da minha personalidade. Basta organizar bem o tempo necessário para que eu possa me dedicar da melhor maneira, tanto na minha profissão como no Inter. Vale a máxima: quanto mais tempo se tem, com mais eficácia se atende às demandas.


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