Bráulio

Bráulio

Bráulio Barbosa de Lima

Bráulio, o Garoto de Ouro Colorado (matéria publicada na edição 27 da Revista do Inter)

Uma das maiores revelações do Internacional ainda come, dorme e sonha com futebol

Na mitologia grega, durante o século 8 a.C., Midas foi um personagem, rei da cidade Frigia de Pessinus. Um homem que com simples toque das mãos transformava tudo em um metal valioso. Anos mais tarde, este mesmo mito deve ter passado no colégio Júlio de Castilhos, durante o início da década de 60. E lá, transformou um menino franzino, de nome Bráulio Barbosa de Lima, no Garoto de Ouro do Sport Club Internacional.


Time de 1968 com Schneider, Sadi, Pontes, Scala, Elton e Laurício em pé; e Carlitos, Bráulio, Claudiomiro, Tovar e Dorinho agachados

Eternizado. É assim que permanece a figura de Bráulio na mente de muitos colorados. Não apenas em razão do seu talento invejável, domínio de bola e velocidade acima da média, e sim pela genialidade. Natural de Porto Alegre, nascido no dia 4 de agosto de 1948, Bráulio ingressou nas categorias de base do Internacional em 1963, no infanto-juvenil. Por essas coisas especiais do futebol, o camisa 8 encontrou na mesma época de Clube um jogador chamado Chorinho. Juntos, formaram a meia-cancha poderosíssima do Inter. A história conta que os torcedores, quando iam aos jogos, optavam por chegar mais cedo apenas ver a dupla jogar. "Isso é verdade. Bráulio e Chorinho. Esse meio-campo foi considerado por Abílio dos Reis o melhor meio-campo de todos os tempos", revela, orgulhoso, o Garoto de Ouro.

Era o início de uma grande carreira. Ainda naquela época o Internacional crescia como clube e depois do Rolo Compressor a geração que estava por vir encerrava seu ciclo nos Eucaliptos e começava a Era Beira-Rio. Mas antes disso, em 1966, Bráulio precisava fazer seu último ato no estádio que viu, por muito tempo, seu futebol desfilar. Aconteceu no amistoso entre Inter e Cruzeiro. O time de Minas Gerais era espetacular, Raul Plassman, Dirceu Lopes, Zé Carlos, Piazza, Tostão e Natal. Todos eles testemunharam um gol antológico. Aos 16 anos, Bráulio recebeu a bola de Élton, e de costas deu um chapéu em William, zagueiro da Raposa. Sem deixar a bola cair desferiu um chute e decretou:  Internacional 3 a 1.

"Quando eu fiz aquele gol, todos invadiram o campo. Na época eram usadas cadeiras de palha e as pessoas se levantaram para me abraçar. O jogo ficou parado por 20 ou 30 minutos. Nessa narração, Jorge Alberto Mendes Ribeiro, que transmitia a partida pela Gaúcha, me apelidou de Garoto de Ouro e assim ficou para o resto da vida", relembra, emocionado.

Bráulio sempre foi ligado ao Internacional e, quando anda nas ruas, é tratado com carinho por torcedores até mesmo do rival. Mas tanto reconhecimento não poderia vir de graça. O Garoto de Ouro afirma que treinou muito para aprimorar a sua alta técnica. "Sempre fui muito profissional, tanto que encerrei minha carreira aos 32 anos sem nenhuma lesão. Eu sentia extrema facilidade de dominar qualquer tipo de bola, desde gude até a de futebol", conta. Certa vez, estava triste por deixar os Eucaliptos para treinar no Gigante da Beira-Rio. Dizia aos colegas de vestiário que a pista do estádio antigo era menor que a do novo, por isso, na hora da preparação física, acreditava que o cansaço viria com mais facilidade. "Eu adorava treinar com bola, mas não gostava muito daquelas físicas que o Gilberto Tim nos passava. Mas na psicologia dele, me disse: 'Bráulio, faz as voltas com a bola'. Então eu treinava e, sem me dar conta, fazia dez, 15 voltas. E fazia aquilo com prazer enorme", coloca. Deu certo.

Bráulio já trabalhou com ótimos treinadores e cita Danilo Alvim, Enio Andrade, Dino Sani, Daltro Menezes, Don Hernandes Riera, Zagallo e Larry Pinto de Faria, entre outros. As amizades coloradas ele jamais esquece: Schnneider, Bibiano Pontes, Luis Carlos (Lua), Sadí, Elias Figueroa e Dorinho.


Bráulio (D) recebe homenagem no 20º Encontro do Esporte, em 2010

Time inesquecível:
"Esta equipe realmente me levantava. Para mim era o time dos sonhos, pois esse eu vi jogar. La paz, Florindo, Oreco, Paulinho, Salvador e Odorico; Luizinho, Bodinho, Larry,Jerônimo e Canhotinho (Chinesinho)".

Curiosidade:
O aluno Bráulio Barbosa de Lima já trilhava desde cedo o caminho para o futebol. Nos tempos do colégio Rui Barbosa, o garoto de ouro matava as aulas para assistir a Larry Pinto de Faria treinar chutes a gol. "Dizia para mim mesmo: Tenho que ser um Larry".
 
Clubes que passou: Coritiba (1973 e 1979); América RJ (1974 a 1976); Botafogo-RJ (1977); Universidad do Chile (1980 a 1982);    

Títulos conquistados:

Internacional
Campeão Estadual 1969, 1970, 1971, 1972 e 1973
Vice-Campeão Brasileiro (Taça Roberto Gomes Pedrosa) 1967 e 1968

América-RJ
Campeão Estadual 1974

Coritiba
Campeão Estadual 1979

Universidad Chile
Campeão Nacional 1980

Fotos: site do Milton Neves



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